Chegar à sexta série do ensino fundamental na primeira tentativa é um desafio impossível de ser atingido para 22% das crianças matriculadas nas escolas estaduais atendidas pelo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina. De acordo com informações do órgão, 17% dos alunos repetem a quinta série por não conseguir dar conta dos conteúdos propostos na série. Outros 5% abandonam a escola antes mesmo de chegar ao final do ano, engrossando as estatísticas da evasão escolar na região.
De acordo com a assessora do Núcleo, Marlene de Melo, a imaturidade das crianças, aliada à estrutura mais complexa da série - com vários professores diferentes - e atenção menos individualizada, acaba gerando dificuldades de aprendizado que levam à repetência. Outro motivo é que os alunos passam a ir desacompanhados para a escola e, no trajeto, acabam encontrando o ''descaminho''. ''Muitos entram em contato com as drogas'', relata, lembrando que as estatísticas apontam que 40% dos jovens infratores abandonaram a escola na quinta série.
Para tentar minimizar o impacto das mudanças inerentes ao ingresso no segundo ciclo do ensino fundamental, o NRE implantou, no início do ano, um programa para melhorar os índices de aprendizagem e diminuir a evasão e a repetência nessa fase.
Uma das escolas que aderiu à proposta é a Rui Barbosa, na Vila Nova (Área Central). A pedagoga da instituição de ensino, Cristiane Katsue Miyazaki Nishiyama, confirma que as crianças enfrentam muitas dificuldades, principalmente porque a organização da série é totalmente diferente da que estavam acostumados. ''São muitos professores e o atendimento é menos individual'', reforça.
No início do ano, foi realizada uma avaliação diagnóstica para identificar os maiores problemas das crianças. ''Descobrimos que muitas têm dificuldade em leitura e interpretação de textos, o que acaba atrapalhando o rendimento em outras disciplinas'', explica.
Diante dessa realidade, os professores foram orientados a explicar a matéria mais detalhadamente. Além disso, estão resgatando conteúdos da quarta série para recuperar possíveis falhas no aprendizado. ''Também colocamos aulas geminadas no horário, para que haja menos trocas de professores. Na lista de material escolar, pedimos aos pais para enviarem cadernos individuais para que os professores de cada disciplina possam fiscalizar mais de perto a realização das atividades.''
A pedagoga revela que muitos alunos vêm de casa sem orientações básicas sobre assumir responsabilidades, limites e a valorização da escola. Outro problema é a falta de acompanhamento para garantir que eles levem o material correto para cada aula. ''A gente explica várias vezes sobre a importância de ser organizado com o material e as datas de entrega de trabalhos e provas. Eles sofrem por causa da falta de maturidade e organização.''

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