Quinta-feira é o dia de mesa farta
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sábado, 07 de junho de 1997
Edmara Michetti 
Milton DóriaDia de farturaO trabalho de doação das voluntárias espíritas na avenida Theodoro Victorelli: pão, leite, chá e bolo para famílias carentes Quinta-feira é dia de mesa farta para moradores dos jardins Santa Fé, Rosa Branca (zona leste) e proximidades. E, para garantir a comida, mulheres e crianças de famílias carentes enfrentam qualquer dificuldade. Nem mesmo a chuva que caía sem parar na última quinta-feira impediu que dezenas delas fizessem fila na avenida Theodoro Victorelli para esperar o pão, o bolo e o leite. A comida chega, com certeza, todas as quintas-feiras à tarde - porque há mais de seis anos as responsáveis pela doação não deixam de cumprir o compromisso.
A festa começa ali mesmo, com um café da tarde improvisado no meio da rua. Antes de encher as sacolas com um litro de leite, pão e bolo, as pessoas, principalmente as crianças, se aglomeram para ganhar o pão já fatiado, o leite com café e o chá, sempre quentinhos. Na última quinta-feira o bolo era de cenoura coberto com chocolate.
Milton DóriaAuxílio na ruaO café da tarde improvisado: todas as quintas-feiras, sem falta
A comida de hoje está garantida, graças a Deus, agradece Marilene de Paula Rodrigues, 29 anos. Na Páscoa elas trazem chocolate e no Natal, balas e brinquedos. As crianças adoram tudo. Marilene tem três filhos menores. Na casa dela, vivem ainda o marido e o sogro. Ninguém trabalha. O marido está desempregado há um ano. Isso dá uma ajudinha boa.
E como ajuda!, completa Elita Peres dos Santos, 27. Mãe de seis filhos, um deles deficiente físico, marido desempregado, ela se beneficia das doações às quintas-feiras há quatro anos. Se não fosse esse leite e esse bolo não sei como seria.
A viúva Alaíde Rosa, 31, seis filhos, sustenta a família com a pensão deixada pelo marido - um salário mínimo. Grávida de oito meses, ela nem se importava de ter andado tanto debaixo de chuva, com as crianças para chegar da favela Santa Fé até o ponto de entrega dos alimentos. Tendo a mesa cheia está bom, diz. Elas são uma bênção para nós.
Elas são um grupo de amigas unidas pela crença espírita que se realizam através da caridade. O grupo que se encarrega da centralização e doação dos alimentos é formado, na maioria das visitas, por sete mulheres. Outras duas ajudam na preparação. Mas elas nem sabem ao certo quantas pessoas estão envolvidas nesse trabalho voluntário que começou tímido há mais de 10 anos por Ana Aparecida Cavagnari, 62 anos, a Cida, e hoje atende dezenas e dezenas de carentes. Foi crescendo e hoje não dá mais para parar, diz. Até as netas de 4 e 13 anos ajudam na ronda pela Cidade.
Além das favelas abaixo da avenida Theodoro Victorelli, as voluntárias servem o café da tarde na Casa do Bom Samaritano (zona norte) e garantem mesa cheia para famílias de favelas abaixo da entidade. Os doentes que aguardam sua vez para o atendimento no Instituto do Câncer também tem o café da tarde garantido no meio da rua às quintas-feiras. Tem dia que só em um ponto tem 100, 120 pessoas esperando, calcula Cida, sem idéia exata do total de pessoas beneficiadas.
O grupo circula a Cidade com três carros que vão cheios. Além dos pães, bolos, café e leite, elas distribuem roupas e calçados. O trabalho é centralizado na casa de Cida, que também atende 12 famílias que batem no seu portão em busca de arroz e feijão. Apesar da distribuição se dar só às quintas-feiras, Cida conta que ela passa a semana recebendo as doações em sua casa, batendo nas padarias pedindo pão e nos supermercados, sacolinhas plásticas. As pessoas que recebem a doação não precisam se preocupar nem com a embalagem. Cida conta que são distribuídos entre 60 e 80 litros de leite cru e, só da sua parte, outros 20 litros de leite fervido com 30 litros de café. Bolo e pão ela nem imagina quanto é entregue.


