Começar 2007 sem contas para pagar, certamente, é o desejo de muitas pessoas. Uma demonstração disso foi dada ontem, último dia de atendimento bancário e também para pagamentos de tributos municipais e federais. Para não começar o ano com dívidas e pagando juros e multas devido ao atraso, milhares de londrinenses correram, literalmente, atrás do prejuízo.
No setor de recebimento de contas da prefeitura, praticamente todas as cadeiras de espera estavam ocupadas. A expectativa era atender aproximadamente mil pessoas até o fim do dia. ''Vim para fazer um novo acerto do meu IPTU, que pago parcelado. Estava controlando certinho, mas, quando teve a greve dos servidores, fiquei uns meses sem pagar e perdi o controle'', explicou o aposentado Nicanor Melchior.
A funcionária pública Vera Andrade foi verificar qual a situação dos débitos de uma casa que a mãe deixou de herança. ''Nem sei qual é a situação dos impostos do imóvel, mas quero pagar para fugir do aumento do ano que vem'', relatou.
Segundo José Maria Pereira, diretor de Arrecadação da Secretaria de Fazenda, a preocupação da funcionária pública é válida, pois quem deixou os impostos de 2006 para 2007 vai pagar, em média, 8% a mais.
Além disso, o contribuinte vai ser incluso na dívida ativa do município e será executado judicialmente. Para os que não sabiam que ontem era o último dia para pagar os impostos, Pereira aconselha a procurar a prefeitura a partir do dia 4 de janeiro para renegociar a dívida.
Bancos - Nas agências bancárias do Centro de Londrina o movimento também era grande. Até quem optou pelos caixas eletrônicos teve que esperar um bom tempo. O movimento era grande porque os depósitos feitos depois das 16 horas de ontem serão processados somente em 2 de janeiro.
Nos caixas convencionais, o tempo médio de espera na fila era de 45 minutos. Uma lei municipal estabelece que o tempo máximo de espera em filas de bancos em dias normais é de 15 minutos e em vésperas de feriados bancários, como foi o caso de ontem, 30 minutos. Mesmo assim, os londrinenses estavam pacientes, pois, segundo o coordenador de Procon, Flávio Caetano, o órgão de defesa do consumidor não recebeu nenhuma reclamação dos bancos.
Última da fila, faltando apenas 10 minutos para encerrar o atendimento, a dona-de-casa Lúcia Helena Marques não se assustava com o volume de pessoas à sua frente. Ela foi fazer um depósito e disse que deixou para a última hora devido à falta de tempo. ''Não consegui vir antes, agora não adianta ficar aborrecida, o jeito é esperar, pacientemente, a minha vez'', finalizou.

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