Curitiba - A greve deflagrada por motoristas e cobradores, descontentes com o acordo firmado pelo sindicato que representa a categoria, provocou o caos em Curitiba. Durante quase 24 horas, ônibus com pneus esvaziados passaram a bloquear o tráfego e piquetes impediram que os veículos levassem passageiros. No início da noite de ontem, os manifestantes decidiram suspender o movimento, mas uma nova assembléia foi marcada para hoje à noite.
De acordo com a Urbs, empresa que gerencia o transporte coletivo em Curitiba, cerca de 50% dos 2,5 mil ônibus da Capital e região metropolitana não rodaram durante a manhã de ontem, e 40% durante à tarde. Na região central da cidade, a paralisação foi total. Os grevistas passaram a noite de quarta para quinta-feira fazendo piquetes em vários pontos da cidade. Eles comemoraram a adesão ao movimento, mas não tinham um número exato de quantos ônibus estavam parados.
De acordo com balanço da Urbs, 1.080 ônibus tiveram os pneus esvaziados e mais 13 foram depredados. O prejuízo é estimado em R$ 2 milhões, entre gastos com consertos e passagens que não foram pagas. Os grevistas afirmaram que as depredações foram feitas por passageiros descontentes com a paralisação.
O que agravou a confusão no centro foi o fato de que passageiros trazidos da região metropolitana e de outros bairros de Curitiba não puderam prosseguir o trajeto para o trabalho. Durante todo o dia de ontem, vans e carros que funcionaram como lotação foram a única opção para se deslocar do anel central.
O movimento pegou de surpresa as autoridades, que tinham descartado a possibilidade de paralisação depois do acordo assinado na quarta-feira entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo. Na convenção, ficou acertado o reajuste salarial de 11%, o que descontentou a categoria que pedia uma reposição de 33%, deflagrando a greve. Motoristas e cobradores reclamaram que não foram ouvidos antes do Sindimoc assinar o acordo. ‘‘Fomos traídos pelo sindicato. Eles não voltaram para saber se a gente aceitaria a proposta do sindicato patronal. Nós queremos é destituir toda a diretoria do Sindimoc’’, reclamou Paulo Sérgio Matos, técnico em manutenção.
De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT), Roberto Von Der Osten, o Sindimoc abandonou a categoria. Representantes do sindicato negaram as acusações e disseram que negociaram os valores acertados em assembléia da categoria.

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