Quinta é dia de contação de histórias
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quinta-feira, 08 de junho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Em tempos de jogos virtuais, celulares e tecnologias em geral, o hábito da leitura fica em segundo plano para muitas crianças. Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2016, mostrou que somente 56% das crianças (entre 5 e 10 anos) entrevistadas leram algum livro em 2015. Entre os de 11 a 13, a porcentagem foi de 67%. Uma iniciativa gratuita que teve início em março em Londrina busca aumentar estes números.
O projeto "Quinta tem história" começou com sessões de contação de histórias para o público infanto-juvenil na Biblioteca Infantil, no centro da cidade, todas as quintas-feiras. Com a boa receptividade dos pequenos, a atividade passou a ser realizada em outros locais que fazem parte do Sistema de Bibliotecas de Londrina, mantendo o mesmo dia que dá nome ao projeto. "Como existem muitas escolas, estamos buscando atender todas fazendo a contação em dois períodos, dependendo do horário de funcionamento da biblioteca", explicou Paulo Tio, que é o responsável, junto com outra professora, por fazer as leituras.
Segundo ele, tudo que é mostrado se apoia na forma lúdica. Alguns bonecos são utilizados para dar vida aos personagens das histórias, ajudando a atrair a atenção dos alunos. "A recepção das crianças foi e está sendo muito boa. Os materiais que usamos para falar sobre as histórias ajudam no sentido do tato. Eles ainda conseguem participar mais ativamente, porque, além de ouvir, estão vendo", destaca.
Para o coordenador de atendimento, programação e extensão da Biblioteca Pública, Guilherme Yung, o projeto tem feito com que a prática da leitura seja difundida. "É uma forma das crianças buscarem mais os livros e criarem um vínculo com as bibliotecas", afirmou ele, que também é um dos responsáveis pela iniciativa.
TÍTULOS VARIADOS
Todos os meses uma obra literária é escolhida para ser trabalhada em todas as sessões com os alunos. A primeira foi o "Pequeno Príncipe" e neste mês a definida foi "Onde vivem os monstros". Para os organizadores, esta é uma maneira de mostrar a diversidade da literatura nacional e internacional e oferecer um contato com os tradicionais títulos.
Além da contação, faz parte da programação a realização de atividades relacionadas aos contos, como oficinas de desenho e origami. "A contação acaba se tornando algo divertido. Temos a opção, ao final de narrar a história, de fazer várias oficinas, em que eles aprendem ainda mais. Isso é positivo, pois acaba sendo uma extensão de toda essa brincadeira que realizamos", afirma Tio.
Londrina conta com sete bibliotecas púbicas, sendo quatro na área central e uma na região oeste, sul e norte. A próxima sessão com os contos para as crianças vai acontecer no feriado de Corpus Christi, das 10 às 12 horas, na Biblioteca Pedro Viriato, e das 14 às 16, no Creas Centro.
SERVIÇO
Mais informações sobre o projeto Quinta tem história na Biblioteca Infantil, pelo fone (43) 3371-6603
'É uma experiência muito produtiva'
A instituição contemplada nesta quinta-feira (8) pelo projeto "Quinta tem história" foi a escola educacional Biodiversidade, no conjunto Semírames (zona norte de Londrina). Cerca de 30 alunos do 2ª ano do fundamental foram até a Biblioteca Pública Municipal Lupércio Luppi, na mesma região, aproveitar a tarde de contação de histórias e atividades. A obra narrada aos alunos foi "Onde Vivem os Monstros".
Atentos a cada movimento dos bonecos que davam vida aos personagens, os pequenos estudantes ouviram o conto sobre o garoto Max que, vestido de lobo, faz bagunça. Após ser colocado de castigo em seu quarto, é transportado para uma uma ilha onde vivem diversos monstros. "Aprendi que não é legal desobedecer o pai e mãe", relata Pietro Biachi de Matos, 6.
Depois da sessão, todos fizeram desenhos dos personagens que mais gostaram, auxiliados pelos professores e pelo contador da história, Paulo Tio. Para os gêmeos Gustavo e Rafael Simione, 7, que nunca haviam entrado na biblioteca da zona norte, a experiência foi divertida. "O que mais gostei foi da caverna dos monstros", conta o primeiro. "Escolhi desenhar e pintar o pássaro inteligente", aventura-se Rafael pelo amplo mundo da literatura.
Fã de livros, em especial da Turma da Mônica, Priscila Sayuri, 7, espera voltar ao local e participar mais vezes do "Quinta tem história". "Sempre leio livros de desenhos. Quero muito voltar na biblioteca. Vou aproveitar que é perto de casa e chamar minha família", projeta.
De acordo com Fabiana Custódio, coordenadora pedagógica da escola, a prática de atividades fora do ambiente diário ajuda na aprendizagem. "Ouvir as histórias estimula a imaginação. Somos convidados com frequência para participar de ações na biblioteca e sempre é uma experiência muito produtiva." (P.M.)


