Quilômetros percorridos em busca de ajuda
Em uma sala perto da recepção do hospital, uma mulher chora, enquanto uma atendente procura acalmá-la. A cena revela o drama de uma mãe que precisa internar o filho com transtorno mental. No caso desta mulher, simples e idosa, que mora na Zona Rural em Apucarana, ir ao hospital de Jandaia do Sul já se tornou rotina: ela tem três filhos com doença mental. Por retornar sempre, já se tornou figura conhecida dos funcionários.
Mas não é a única. Diariamente, dezenas de pessoas procuram o hospital em busca de internamento. Gente que chega de quase todas as regiões do Paraná. São quatro funcionárias para atender às ligações ou às pessoas que procuram o hospital.
Um pedreiro de Pitanga (Centro) levou o filho de 47 anos ao hospital pela primeira vez. Segundo ele, o filho entrou em depressão profunda e, para agravar ainda mais a situação, tornou-se alcoólatra. Diz o pai que ele é rebelde e não toma os medicamentos. ''Ele já havia sido internado em outro hospital, mas não resolveu, e agora está cada vez mais difícil encontrar vaga'', admite.
O terapeuta ocupacional Francisco de Assis Schuindt desenvolve atividades não apenas para ocupar o tempo de alguns internos, mas também para que eles assimilem atividades básicas, como tomar banho, se vestir e se alimentar. Quando os internos adquirem uma certa ''habilidade'', passam a desenvolver outras tarefas artesanais. Há no hospital uma sala com trabalhos manuais feitos pelos internos, o que é considerado um sinal de progresso.
Toda manhã, há 17 anos, a dentista Célia Barbieri Aichie vai ao hospital para tratar os pacientes e se orgulha muito do que faz. ''O tratamento aqui é o mesmo de pediatria. Os nossos pacientes são crianças com força, crianças crescidas'', afirma. Segundo ela, este é o único hospital do Brasil que tem um consultório odontológico para tratamento de pacientes com transtornos mentais. (E.A.)





