As cinco famílias da Campina dos Morenos, no município de Turvo (54 quilometros ao norte de Guarapuava), comemoram hoje o Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares que morreu crivado de balas em 20 de novembro de 1695, após ter fundado o Quilombo dos Palmares, em Alagoas.
A Campina dos Morenos foi um dos maiores redutos da comunidade negra no Paraná. Antes da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, muitos escravos fugitivos se refugiaram no lugar. No início do século, duas mil pessoas habitavam o quilombo, e hoje são só 50.
Os habitantes da Campina dos Morenos, tentaram preservar o sonho de Zumbi dos Palmares, criando uma comunidade sem distinção de raças e classes. Mas 301 anos depois, os poucos habitantes têm pouco ou quase nada para comemorar.
A secretária de Cultura de Turvo, Rosicler Aparecida Lisboa, relata que a partir da década de 50, as famílias começaram a vender suas propriedades e ocupar a periferia das cidades, principalmente de Guarapuava, trabalhando como volantes nas fazendas da região.
Os hábitos e costumes não foram preservados. As tradições foram se perdendo. ‘‘Hoje estamos tentando resgatar a memória da Campina dos Morenos, mas encontramos grandes dificuldades’’, diz a secretária.
Os moradores costumam usar parte da produção de milho e feijão para consumo próprio, e a outra metade no comércio mais antigo da face da Terra - o escambo - para conseguir o arroz, a farinha, o fubá, o café, o açúcar e o sal. Dinheiro na mão, só no dia da aposentadoria.
Para a secretária de Cultura o trabalho mais importante é feito com as 16 crianças que frequentam a Escola da Campina dos Morenos. ‘‘É através delas que podemos preservar a identidade e a memória do quilombo’’.

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