Até quatro anos atrás, a enfermeira Vali Wohlemberg, de 50 anos, nunca tinha ouvido falar do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Foi quando um neurologista fez o diagnóstico de seu único filho, Felipe, hoje com nove anos. Bem antes, porém, Vali conheceu as principais características do transtorno: ''Logo cedo percebi que quando o chamava, ele não respondia. Na época a babá até sugeriu que eu procurasse um otorrinolaringologista, por achar que ele não escutava bem.'' Exames posteriores mostraram que Felipe não tem problemas auditivos.
A enfermeira relata ainda que quando o filho tinha quatro anos deparou-se com a sua dificuldade de memorizar as cores primárias, uma das consequências das limitações no campo da concentração. ''Desde bem cedo percebia como era complicado para ele interagir socialmente, tanto na escola como na família. Ele só mantinha a atenção no que realmente interessava-o'', relembra Vali. Quando Felipe começou a frequentar a pré-escola, não demorou para que a enfermeira recebesse as primeiras queixas. ''Eu já estava preparada para as reclamações, ligadas principalmente à desatenção e ao seu comportamento desafiador e inquieto.'' Na época, a mãe foi orientada a procurar orientação psicológica.
Como não conseguiu de imediato atendimento psicológico gratuito, Vali resolveu procurar um neurologista, que fez o diagnóstico logo na primeira consulta e prescreveu o uso de Ritalina (medicamento à base de metilfenidato, estimulante do sistema nervoso central). Até hoje o garoto usa o medicamento, mas com parcimônia. ''O remédio provoca uma melhora no seu comportamento, ele fica menos agitado. O problema são os efeitos colaterais, como a falta de apetite. Se deixar, ele fica o dia todo sem comer.''
Atualmente, além do neurologista, Felipe é acompanhado por psicopedagoga e pela Clínica de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Vali diz que os últimos anos têm sido um constante aprendizado de como lidar com o transtorno do filho, que reivindica atenção ''24 horas por dia''. ''Ainda é muito complicado para mim. Me questiono o tempo todo se estou fazendo o melhor por ele, pois somos só eu e ele, tenho que enfrentar sozinha todas as situações.'' Vali é solteira e adotou Felipe depois de tentativas frustradas de engravidar. Por ser 'filho do coração', não há como saber se o transtorno tem origens genéticas.
A mãe de primeira viagem - que aos poucos aprendeu a ser uma supermãe - não desanima: ''O futuro do Felipe é uma incógnita para mim. De repente ele pode evoluir e surpreender a todos, mas também pode ser que ele não corresponda a tudo o que uma mãe espera de um filho. Seja como for, eu vou estar sempre ao seu lado, apoiando-o para que ele faça o que gosta.'' (S. L.)

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