'Questão básica é remuneração'
Para o pediatra Milton Macedo, diretor do Departamento de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina (AML), não faltam profissionais nesta área no Brasil. O que falta é a sua devida valorização. ''A questão básica é a da remuneração. Trata-se de um profissional detentor de um volume muito grande de conhecimento e de informações que mudam muito rapidamente, tanto que, dos países que tradicionalmente têm residência em pediatria, tanto na Europa como na América Latina, o Brasil é o único em que a duração é de apenas dois anos. Em todos os outros o tempo de duração já foi estendido para três anos'', argumenta.
Segundo Macedo, é importante que a criança seja acompanhada sempre pelo mesmo médico, criando um vínculo capaz de reduzir os riscos para ela, proporcionar mais segurança para a família e diminuir as despesas para o sistema com novos e desnecessários exames.
''No Brasil inteiro tem acontecido de se oferecer atendimento quantitativo, em detrimento da qualidade. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que a criança seja atendida sempre por um pediatra, profissional qualificado para isso. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que a criança tenha prioridade no recebimento de recursos públicos, mas na prática não é o que acontece'', observa.
O pediatra ressalta que muitos municípios menores, em vez de se preocupar em organizar um sistema local de assistência, gastam recursos para organizar um sistema de transporte para centros maiores, como Londrina.
''O que precisamos é de um sistema regionalizado, hierarquizado e resolutivo, porque um erro acaba levando a outros. Por exemplo, a mãe leva a criança à UBS, mas chega lá não consegue atendimento com pediatra. Então é encaminhada para o PAI (Pronto Atendimento Infantil), onde consegue o atendimento necessário. Ou seja, da próxima vez que esta criança precisar de médico, em vez de ir ao posto de saúde perto de casa, a criança irá direto ao PAI, sobrecarregando-o.''
Diante da estrutura falha, afirma Macedo, não se faz o acompanhamento de crescimento e desenvolvimento da forma adequada, comprometendo os aspectos qualidade e prevenção, primordiais para a saúde de crianças e adolescentes. (S.L.)





