'Quero uma vida plena de saúde'
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br> Reportagem Local 
Londrina Nove meses depois de passar por uma cirurgia inédita em Londrina de Estimulação Medular Espinhal (EME), a técnica em enfermagem Maria Enivalda da Silva, de 52 anos, curte o prazer de poder fazer coisas básicas do dia a dia e desfrutar de uma velha paixão: dançar com o marido. "Já voltei a dar uns passinhos pelo salão. Estava sentindo falta realmente". A FOLHA retratou os primeiros dias após a intervenção cirúrgica em uma reportagem no mês de março.
Maria Enivalda sofria de um problema crônica na medula óssea e dores insuportáveis desde de 2004, quando foi detectado um tumor benigno entre as vértebras três e quatro e que estrangulava a medula. Diversos tratamentos foram tentados, além de muitos medicamentos. Mas nada conseguiu aliviar as dores, que obrigaram a técnica em enfermagem a se aposentar em 2007.
A EME consiste na introdução de eletrodos na medula através de um terminal elétrico que gera vários pontos de conexão. "Através da corrente elétrica se criam estímulos que vão 'enganar' o cérebro. Cria-se uma espécie de 'bloqueio' da dor que não chega até o cérebro. E com isso a pessoa não sente mais o incômodo", explica o neurocirurgião Marcos Antônio Dias, responsável pela cirurgia.
Maria Enivalda ressalta que hoje a sua vida mudou completamente e ela consegue fazer as tarefas, que antes não eram possíveis como tomar banho sozinha, serviços domésticos e pequenas caminhadas. "Hoje eu faço tudo. Lavo, passo, cozinho e até na academia estou indo", se orgulha.
Com a cirurgia e a boa recuperação, Enivalda se livrou quase que por completo dos remédios. "Antes eu tomava remédio de quatro em quatro horas, sem falar na morfina em virtude das dores insuportáveis. Hoje tomo apenas uma medicação para dor nos braços, mas chego a ficar 24 horas sem tomar nada", conta, aliviada. "Quando eu sinto alguma dor eu mesma aumento a frequência do equipamento e o incomodo passa".
Dias frisa que a melhora da paciente realmente tem sido muito boa, mesmo reconhecendo que a recuperação completa pode demorar até um ano. "O objetivo final é que o paciente fique sem dor nenhuma, não precise de medicação e possa voltar a ter uma vida integrada com a sociedade", relata.
Após o primeiro procedimento, o neurocirurgião realizou a intervenção em uma outra paciente no mês de outubro e tem uma terceira agendada para janeiro em uma mulher que sofre de dores nos braços. A EME, uma tecnologia americana e alemã, pode ser realizada através da rede pública de saúde.
Enivalda quer deixar para trás as dores de 2013, quando sofreu também um acidente automobilístico, e ter um ano novo repleto de saúde. "As coisas já melhoraram bastante e, com certeza, vão melhorar ainda mais em 2014. Quero uma vida plena de saúde e alegria", espera. "O nosso sofrimento foi grande, passamos o ano indo e voltando do hospital. A nossa esperança é que tudo continue melhorando", frisa o marido, Ataíde Braz.


