Quero ser professor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Despertar o interesse dos alunos do Ensino Médio para a carreira docente é o objetivo de um programa a ser lançado pelo governo federal. De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o Programa "Quero ser Cientista, Quero ser Professor" prevê que os alunos desenvolvam tarefas no contraturno, com a orientação de um professor orientador e a tutoria de um professor universitário. Os alunos deverão também receber uma bolsa de R$ 150, nos moldes dos projetos de iniciação científica no ensino superior. Serão estimulados o interesse e a vocação nas disciplinas de matemática, química, física e biologia.
Algumas iniciativas, entretanto, já têm chamado a atenção da meninada para estas disciplinas, como as desenvolvidas no Colégio Estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera, na zona sul em Londrina. Há três anos o professor Leonardo Zanoni desenvolve um projeto de Astronomia básica, dentro do Programa Ensino Médio Inovador, do governo federal.
"São 25 alunos, do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio, que participam de atividades ligadas à astronomia. São feitas atividades práticas de observação dos astros e os alunos também desenvolvem pesquisas na biblioteca e na internet. A carga horária é acrescida no currículo de cada aluno e o objetivo maior é aumentar o desempenho na atividades regulares ao descobrir o prazer na investigação científica", explica.
Para desenvolver as atividades, os adolescentes vão para o colégio duas vezes na semana à noite e pelo menos um sábado por mês participam de atividades junto ao Planetário e do Grupo de Astronomia de Londrina (Gedal). Verbas do governo federal possibilitaram a compra de equipamentos, como um telescópio. "Eles saem da teoria para a prática. Podemos perceber que os alunos participantes do projeto se tornam mais questionadores e também se esforçam mais durante as aulas. Além disso, a comunidade também participa, pois eles podem trazer acompanhantes durante as observações e ficam responsáveis por explicar o que está sendo feito", conta Zanoni.
Maicon Andrei, 17 anos, é aluno do 2º ano do Ensino Médio e participa do grupo pela primeira vez. Segundo ele, o projeto possibilita que os alunos tenham acesso a equipamentos que não são comuns nos colégios. "Já me interessava pela área de astronomia, então estou tendo uma boa oportunidade. Também fazemos cursos online. Agora estou em dúvida entre Física ou Astronomia, como futura carreira, mas sei que tenho interesse em pesquisa e também na docência", conta.
Nathália Guari, de 15, também é aluna do 2º ano e participa pela segunda vez do projeto. "Gosto bastante de exatas e aqui trabalhamos muita matemática e também química. A astronomia abriu um leque grande. Estou inclinada a cursar química ou física. Sei que não tem muitos interessados nessas áreas e pretendo fazer pesquisas, mas dar aulas também é uma opção", afirma.
Fogos de artifício
No mesmo colégio, um outro grupo de alunos descobre na prática a resposta para questões como: "por que os fogos de artifício são coloridos?", "por que as lâmpadas fluorescentes queimam mais?" ou ainda "como é o nascimento dos pintinhos?". Waléria Pickina Silva Alvwes, professora de Química, é a responsável por descobrir qual a melhor forma de mostrar as respostas, levando em consideração os recursos disponíveis na escola e a idade dos alunos, para não expô-los a riscos.
"Já desenvolvi esse mesmo projeto em outra escola durante dois anos. Os próprios alunos trazem as perguntas e fazemos experiências para que eles descubram as respostas. Algumas vezes acabamos até envolvendo outras disciplinas, como no caso dos pintinhos, quando trabalhamos em parceria com física e biologia", explica.
O grupo também é formado por 25 alunos, que se reúnem duas vezes por semana no contraturno e a carga horária também é acrescida no histórico escolar. "Dá trabalho preparar as aulas, mas é muito gratificante também. Sempre temos fila de espera de alunos querendo participar", garante.
Júlio César de Souza Silva, de 16, cursa o 2º ano e destaca que suas notas aumentaram depois que começou a participar das experiências. "É diferente ouvir o professor apenas e ver acontecer. Dá uma visão melhor de que carreira escolher. Gosto bastante de matemática, mas agora já fiquei tentado em cursar química também. Gosto de transmitir o que aprendo, dar aulas é uma opção."
Giovana Cunha dos Reis, 15, também está no 2º ano e quis participar do projeto por já gostar da matéria. "Acho que aprendo mais na prática que na teoria. O convívio com o professor melhora e minhas notas estão melhores também", diz.
Waléria acredita que a proposta do governo federal, visando atrair mais alunos para a docência é uma boa opção e lembra que atualmente a escola também precisa se reinventar, para evitar a evasão escolar. "Fora daqui há muitos atrativos, a escola precisa ser mais atrativa ainda", destaca.
Norberto Giacomini, diretor do colégio, aponta que se os alunos têm acesso à prática, passam a ter mais interesse em estudar. "Temos outros três projetos que atraem bastante os alunos, sobre compostagem, circo e contadores de histórias. Estamos recebendo diversos materiais para equipar melhor o laboratório de química e também montar um laboratório de matemática e física." (Com Agência Estado)
Leia também:
- É necessário valorizar mais o professor
- Capacitação constante e salários dignos


