Dos 26 alunos matriculados, a mais velha é dona Isolina Maria Gonçalves, de 78 anos. A mais jovem é Celina dos Santos Cruz, de 33 anos. Isolina nunca frequentou escola. Celina já teve a oportunidade, mas não conseguiu nem sequer aprender a ler e a escrever. Ambas estão entusiasmadas e na expectativa de que consigam se alfabetizar.
Isolina disse que nasceu na região de Queimadas, no caminho para Curitiba, e que vive em Londrina desde os 10 anos. Queimadas é a primeira denominação do atual município de Ortigueira (a cerca de 130 quilômetros ao sul de Londrina). ‘‘Vim para Lerroville, onde me criei, casei e tive filhos. Em Londrina estou há mais de 20 anos’’, conta, dizendo que teve 14 filhos.
Apesar de dizer que está gostando muito do curso, admite que sente muitas dificuldades. ‘‘Na minha idade é muito mais difícil. Nem cabeça nem os braços funcionam mais como antigamente. Se meu pai tivesse me colocado na escola quando eu era criança seria muito mais fácil e eu teria aprendido mais rápido’’, diz Isolina. ‘‘Mas, se Deus quiser, mesmo com dificuldade vou conseguir pelo menos ler e escrever coisas fáceis’’, completa.
Celina, que é casada e tem dois filhos, é de poucas palavras. Com muita timidez e falando com voz muito baixa, diz apenas que quando era criança foi à escola mas não conseguiu aprender a ler nem escrever. ‘‘Mas agora vai dar certo.’
Guilhermina dos Anjos, de 62 anos, diz que o projeto de alfabetização de adultos é muito interessante. ‘‘Nunca é tarde para a gente aprender’’, destaca ela. Ela diz ainda que ‘‘já sabia algumas coisinhas’’ e que ao saber da existência do curso decidiu se matricular para aprender mais. ‘‘Nesse período do curso já melhorei bastante.’ Ela não quer apenas aprender a ler e a escrever. ‘‘Quero ir mais longe’’.’
Maria Aparecida Calçado, de 61 anos, também nunca havia ido à escola. Ela conta que quando criança morava na zona rural de Jacuí (Sul de Minas Gerais), a cerca de 12 quilômetros da escola mais próxima. ‘‘Além da distância, meu pai achava que filha mulher só precisava aprender as prendas domésticas. Se aprendesse a ler e a escrever, só iria usar para escrever cartas para namorado’’, revela. Ela diz que a idéia é absurda e que todos devem estudar e aprender o mais que puder.

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