'Quero andar de cabeça erguida'
Cabelos e barbas brancas, 61 anos. Vinte e nove deles em unidades prisionais e mais 16 para cumprir. Essa é história de José Antônio de Souza, londrinense e autor de vários assaltos. Apesar da pena exceder e muito os seis anos, ele tem o direito de requerer o indulto por conta da idade.
''Não me deram chance na hora certa, espero que agora o juiz tenha complacência e me dê, quero andar de cabeça erguida'', diz. Ele alega que sua primeira condenação foi por um crime que ele não cometeu. ''Era ditadura, nem direito a condicional eu tive'', afirma.
Nos anos seguintes ele não nega que virou criminoso mas prefere não detalhar o que aconteceu. ''Essas coisas tem que ficar para mim'', alega. Mais tarde fugiu da prisão mais de uma vez. Hoje se diz recuperado e sonha em viver com os netos uma vida familiar que não teve com os sete filhos.
Experiente, ele evita acalentar muitas esperanças mas não desanima. ''Posso ser um derrotado para a Justiça mas não deixo de ser um vitorioso, com essa vida que eu tive são raros os que chegam na minha idade'', acredita.
O indulto de Natal, entretanto, deve sair só no carnaval. Depois de montados os processos, eles são enviados para receber parecer Conselho Penitenciário Estadual e então serem julgados pela Vara de Execuções Penais (VEP), atualmente a cargo de uma juíza substituta. A previsão é que as comutações saiam em janeiro e os indultos no mês seguinte.(A.S.)





