Curitiba Entre os presentes, os pais de Luciano, seus dois irmãos, vizinhos e amigos acompanhavam atentos cada minuto do julgamento. ''Queria que ele já estivesse preso, assim quem sabe não teria matado mais um'', desabafou a mãe Maria Aparecida Salkoski, referindo-se à morte do caminhoneiro Luiz Antonio Ferraz, 30 anos. O crime aconteceu um ano e meio depois da morte de Luciano, o tenente foi condenado a nove anos de prisão, mas recorreu da sentença.
Elisabetha Zanella, mãe do estudante Rafael, morto em circunstâncias semelhantes em 1997, com apenas 17 anos, também acompanhou o julgamento. Rafael foi morto em 28 de maio de 1997 com um tiro na cabeça, depois de ser abordado, no bairro Santa Felicidade, por policiais do 12º Distrito Policial. Os policiais teriam colocado uma arma junto ao corpo do rapaz para forjar uma reação e maconha no porta-malas do carro para incriminá-lo como traficante. Três dos envolvidos foram a júri popular e condenados. Dois recorreram da sentença e deverão ir a novo julgamento.
O julgamento dos acusados da morte de Rafael demorou quase oito anos. No ano passado, os pais do rapaz Elizabetha e César Zanella ganharam, na Justiça, o direito a uma indenização de R$ 500 mil por danos morais. Elizabetha sabe que o pagamento da indenização pode demorar ainda, mas já tem planos para o dinheiro. A intenção, segundo ela, é montar uma fundação, que receberá o nome do filho, para ajudar pessoas vítimas de violência, oferecendo, por exemplo, assistência jurídica e psicológica. (M.G.)

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