Queria encontrar meu filho e ajudá-lo
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sábado, 15 de agosto de 1998
Marcele Aires Especial para a Folha 
Não consigo dormir. Levanto quase todas as noites pensando nele. Não sei se está bem, não sei se está vivo. O lamento, feito por Tereza Vieira Machado, é comum entre muitos pais paranaenses que têm seus filhos desaparecidos.
Dona Tereza perdeu notícias do filho, Valdir Machado Filho, conhecido como Baixinho Borracheiro, desde o dia 4 de junho do ano passado, por volta das 21 horas.
Era uma noite chuvosa, lembra a mãe, e Valdir teria sido visto pela última vez por um borracheiro em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), onde estava morando.
O borracheiro que afirma ter visto o meu filho naquela noite de chuva, no começo de junho do ano passado, disse que ele estava gritando e parecia muito desesperado, conta dona Tereza.
Na tarde da mesma data, Valdir teria passado por volta das 16 horas na casa da mãe, que mora em Cornélio Procópio, e tomado café. Segundo ela, era costume do filho visitá-la e aproveitar para fazer um lanche.
Fui a última pessoa de casa a conversar com ele, diz a sobrinha de dona Tereza, a professora Patrícia Regina Machado. Cinco dias depois do desaparecimento, a mulher de Valdir, Carmem Herreira, registrou o desaparecimento do marido na polícia.
Meu filho sempre trabalhou na região. Como ele viajava muito e ficava sem dar notícias por 10, até 15 dias, no máximo, não ficamos preocupadas. Mas o tempo passou e já faz um ano e dois meses que ele está desaparecido, diz Tereza Vieira.
Ela não acredita que o desaparecimento tenha relação com bebidas. Há anos o Valdir bebia, mas sempre foi muito trabalhador. Ele era muito conhecido na região, inclusive pelos policiais, para quem sempre fazia serviços de borracharia.
Segundo o escrivão da polícia em Congonhinhas, Jurandir Lima Luz, Valdir foi visto pela última vez no dia 3 de dezembro do ano passado, no trevo de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho) que dá acesso a Curitiba. O policial afirma que o borracheiro tinha a aparência de um mendigo. Dona Tereza também admite ter obtido informações de que seu filho teria sido localizado e estaria vivendo como um andarilho.
Uns dizem que ele estava no lixão de Nova Fátima (31 km ao sul de Cornélio Procópio), outros dizem que viram meu filho em janeiro em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho). Mas o problema é que cada vez temos um tipo diferente de informação, queixa-se a mãe do borracheiro.
Procuramos até em Rondônia, onde mora minha filha, mas não encontramos nenhuma pista do Valdir. A verdade é que não temos nenhuma idéia do paradeiro dele, acrescenta dona Tereza.
Ela conta que seus dois netos, Fabiano Machado, de 17 anos, e Fabiane Regina Machado, de 15 anos, estão sofrendo muito com a falta do pai. Só queria encontrar meu filho e poder ajudá-lo. Ainda tenho esperanças, anima-se.
Valdir é branco, tem 1,60 metro, os olhos e os cabelos são de cor castanha. Ele não tem dentes e anos atrás foi submetido a cirurgia em uma das pernas, com o implante de pinos no joelho.
Dona Tereza, a exemplo do que fazem inúmeras mães, implora a compaixão de quem tiver alguma informação do paradeiro do filho Valdir, o Baixinho Borracheiro.
O endereço para contato com os familiares é Rua Ari Barroso, 107, Vila Santa Terezinha, em Cornélio Procópio. O telefone é (043) 523-3583.
Contatos também podem ser feitos com o irmão de Valdir, Valdemir Machado, conhecido como Polaco, pelo telefone (043) 523-1642.


