Cerca de 70 trabalhadores sem-terra invadiram a fazenda Santa Amélia, em Querência do Norte. É a terceira invasão em menos de uma semana na região. Atualmente, só no município de Querência do Norte existem 16 fazendas ocupadas por sem-terra. Os acampamentos existentes hoje no município abrigam cerca de 1.200 famílias, segundo estimativa dos invasores.
A invasão da Fazenda Santa Amélia começou anteontem à tarde. Na quarta-feira da semana passada, cerca de 50 famílias sem-terra invadiram as fazendas Santo Antônio e Santa Ana que pertencem a Ciro Ribas Taques.
A fazenda pertence a Alcides Beltrame, tem 366 alqueires e cerca de 1.500 cabeças de gado. De acordo com Décio Beltrame, filho do proprietário, é a terceira vez que os sem-terra invadem a fazenda. A primeira foi em novembro do ano passado.
Em dezembro, os sem-terra deixaram a área para que o Incra fizesse a vistoria e, em janeiro deste ano, voltaram a ocupar a propriedade. Eles desocuparam a área pela segunda vez, segundo Beltrame, porque o Incra deu parecer considerando a fazenda produtiva.
Durante a invasão de anteontem, os sem-terra expulsaram o administrador Nelsom Correia e um funcionário que estava na fazenda. Correia prestou queixa na Delegacia de Querência do Norte por maus-tratos. Os sem-terra que invadiram a Santa Amélia são remanescentes de outros acampamentos da região. A fazenda Santa Amélia fica a cerca de 15 quilômetros da Fazenda Sonho Real, que também está ocupada por trabalhadores sem-terra.
Alcides Beltrame já tem a liminar de reintegração de posse da área que foi concedida após a primeira invasão, em novembro do ano passado. A juíza Elizabeth Carter, da comarca de Loanda, concedeu em janeiro deste ano o interdito proibitório da Fazenda Santa Amélia e estipulou multa de R$ 10 mil por dia aos invasores. Nenhum representante do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), na região de Querência do Norte, foi localizado ontem pela Folha.

mockup