Há também um certo preconceito no processo de contratação com relação às deficiências, como assegurou a secretária da Associação de Pessoas Portadoras de Deficiência de Arapongas (APPDA), Roseli Martauro Marinho. Segundo ela, os deficientes físicos, visuais e mentais são preteridos pelos deficientes auditivos.
''Uma moça foi humilhada durante uma entrevista porque tinha uma deficiência física. O empregador mostrou o local de trabalho e perguntou para ela o que ele ia fazer com ela, já que ele não tinha pedido um deficiente físico e sim auditivo'', contou Roseli.
Conforme ela, as empresas costumam ligar para a associação em busca de mão-de-obra, mas preferem pessoas surdas. ''Estamos parados por falta de recursos, mas com a nova eleição, queremos formar equipes e ir visitar as empresas para sensibilizar os donos em busca de vagas de trabalho'', assegurou a secretária.
Ainda segundo ela, há dois anos a APPDA organizou um projeto de fabricação de temperos na sede da associação, na Rua Pica-Pau, o qual empregava quatro pessoas, mas a idéia não deu certo. Funcionando há 15 anos, a entidade reúne 600 pessoas com deficiência visual, auditiva, mental e física.
''Falta oportunidade. Nós somos excluídos antes mesmo de mostrar do que somos capazes'', concluiu Paulo Aparecido dos Santos, que faz parte do conselho deliberativo da associação.
A FOLHA procurou algumas empresas, que preferiram não comentar sobre o assunto, alegando que resolveriam qualquer problema com o Ministério do Trabalho de forma individualizada. (M.G.)

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