Curitiba - Com algumas dezenas de viagens no currículo, o jornalista Jeferson Jess, 25 anos, tornou a carona praticamente o único meio de transporte desde a faculdade. Com pouca grana no bolso e uma cara-de-pau incomparável, essa foi a melhor saída para aproveitar férias e feriados. As venturas e desventuras são relatadas no Blog Expedição Carona Estrangeira. O espaço foi criado como canal de comunicação entre ele e o mundo, enquanto batia perna por aí, mas já se consolidou como ponto de encontro de caroneiros do País. Em breve, os internautas passarão a escolher e produzir os roteiros. O objetivo é tirar de cena o foco aventureiro e priorizar o caráter humano e social dos locais.
A primeira andança de baixo custo de Jess foi de Curitiba para Bolívia e Peru, na companhia de um amigo. Lá, depararam-se com a pobreza e sempre tiveram que ajudar no combustível. ''Muita gente dá carona para repartir os gastos. É correto falar sobre isso antes de embarcar'', recomenda.
Na sequência, conheceu uma estudante carioca em um site de mochileiros e partiram rumo ao Norte brasileiro, pelo litoral. ''A presença da mulher gera segurança ao motorista. É mais fácil conseguir carona quando elas estão junto.'' Os dois foram do Chuí ao Maranhão em três meses.
O principal medo de quem viaja é a violência. Jess conta que nunca foi assaltado ou agredido em quase dez anos, mas ressalta que o perigo maior está nas condições físicas dos veículos e dos motoristas. ''Tem muita gente bêbada ou carro sem manutenção. Vale a pena dar uma olhada antes e encarar as situações com humor. Em caso de dúvida, agradeça e aguarde outra carona.''
Entre tantas histórias, ele lembra quando pegou carona em um caminhão de abacaxi em Ilhéus (BA). O veículo era tão velho que nem tinha limpador de pára-brisa e, para conter a chuva, ele e o motorista amarraram o equipamento com barbantes e foram ''dando um jeito'' até a tempestade passar.
Aos 23, o estudante de jornalismo Hendryo Anderson André diz que já viveu uma das maiores experiências da vida: em dezembro do ano passado, na companhia de um amigo, saiu de Curitiba rumo a Buenos Aires, de carona. Parte do dinheiro foi arrecadado por meio de festas promovidas pelos amigos que no princípio achavam que os dois não sairiam sequer da cidade.
A aventura de dez dias entre a ida e a volta foi a chance de conhecer pessoas, desafiar o desconhecido e ter uma história para lembrar com carinho. ''Depender da boa vontade de alguém é uma grande lição de humildade'', conta o caroneiro.
De Curitiba a Porto Alegre, a dupla seguiu em um caminhão, cujo motorista estava atrás de companhia para não dormir no volante. ''É preciso ter muita coragem para abrir seu veículo a dois desconhecidos. Ambos os lados estão expostos'', analisa André. No caminho até Pelotas, os dois amigos encontraram um motorista que ofereceu também a casa dele para pernoite.
A dupla gastou cerca de R$ 600 para se manter durante os 30 dias de viagem, contando a alimentação e ajuda de custo com as caronas. O plano agora é ir ao Chile de moto e, quem sabe, oferecer carona para alguém, como ''retribuição''.

Serviço
Ficou com vontade? Confira alguns site úteis para carona:
www.mochileiros.com.br
carona.zip.net
www.caronasegura.com.br
www.caronas.com.br
www.carpoolworld.com
www.carpoolking.com
www.carpool.com.pt
www.projetomelhorar.com.br

mockup