Dedicação e amor aos filhos, cuidados enquanto são bebês até que estejam independentes e possam levar uma vida sozinhos. Essa é a função dos pais, exercida de forma responsável pela maioria deles. Quando a idade chega, os papéis se invertem. São eles que precisam da atenção e dos cuidados dos filhos. E nem sempre há tempo ou disposição para isso. A situação se agrava quando os pais precisam de cuidados específicos, geralmente médicos, que muitas vezes os filhos não têm condições de prestar. O que fazer então?
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País tem hoje 15 milhões de idosos e até 2050 serão cerca de 36 milhões. De acordo com estimativas menos de 1% dos idosos do Brasil vive em instituições geriátricas. Com o aumento da expectativa de vida divulgada pelo IBGE no fim de 2007, que passou de 71,9 anos, em 2005, para 72,3 anos, é cada vez maior o número de filhos que busca ajuda em casas especializadas para atender idosos.
Tomar a decisão de colocá-los em um abrigo, geralmente causa culpa e angústia aos envolvidos. A decisão deve ser tomada com cuidado, analisando a saúde do idoso, seu grau de independência e a disposição de dinheiro e de tempo dos familiares.
Especialistas afirmam que, antes de analisar a questão pelo lado financeiro, o mais justo é perguntar para o idoso o que ele considera melhor. Se ele puder tomar a decisão, é o ideal para todos. Mas e quando eles não podem tomar mais decisões? O que é melhor para eles? E para a família?
Em Londrina, são 13 instituições legalizadas, particulares e filantrópicas, com um total de 179 vagas. De acordo com dados da Secretaria Municipal do Idoso não existe fila de espera. A maior parte dessas casas cuida de pessoas dependentes, que necessitam de cuidados específicos de higiene, alimentação e, principalmente, médicos.
O assunto ainda envolve muito preconceito, tanto que nenhuma família que mantém idosos em abrigos aceitou conversar com a reportagem da FOLHA. Segundo os proprietários das casas particulares, a maioria não quer se expor, exatamente por enfrentar preconceitos, muitas vezes por parte deles mesmos. ''Muitos se sentem culpados por deixar os pais nesta situação'', afirmam.
''São pessoas que não conseguem mais se cuidar sozinhas e por isso as famílias buscam ajuda profissional. Se pudessem se manter, os filhos não colocariam sob nossos cuidados'', relata o auxiliar de enfermagem e proprietário de uma instituição, Marcos Roberto de Souza.
A instituição abriga 12 idosos. Três deles estão acamados. Para os que ainda conseguem se locomover, o dia-a-dia é tranquilo. A maior parte do tempo eles assistem TV ou se distraem no quintal. ''Claro que a maioria gostaria de estar em casa, mas nem sempre é possível'', afirma Souza.
A enfermeira Maria Aparecida, sócia proprietária do recanto, afirma que os parentes visitam os internos de acordo com a disponibilidade. ''As visitas podem ser feitas a qualquer hora, mas alguns que moram em outras cidades vêm com menos frequência.''
Em uma casa de repouso localizado no Jardim Dom Bosco, 14 pacientes com média de 80 anos também vivem em regime de internato. A maioria é dependente de cuidados. Segundo a proprietária, Vanielza Almeida Brasileiro, que tem formação como auxiliar e está cursando enfermagem, muitas pessoas da família chegam ao abrigo com sentimento de culpa. ''Eles sofrem em deixar os pais aqui, mas sabem que serão bem cuidados''.
Os preços para manter os idosos nesses abrigos depende das condições e da necessidade de cada um, variando entre R$ 800 e R$ 1.500. Estas instituições de longa permanência surgiram no fim do século 19 e não acolhiam apenas idosos, mas também pobres, pessoas com problemas mentais e deficientes. Exatamente por isso, sofrem preconceito até hoje. (Com Agência Estado)

mockup