Quem tem casa, quer infraestrutura
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Não há o que discutir que uma das maiores demandas da população brasileira é a habitação. Tanto que uma das bandeiras do Governo Lula foi encabeçar o programa ''Minha Casa, Minha Vida'', que já construiu mais de 207 mil residências em todo o Brasil. Em Londrina, cerca de 217 casas foram entregues até hoje. A previsão é que mais 71 sejam entregues nos próximos 90 dias. Outras 1,7 mil no bairro Vista Bela (Zona Norte) ficam prontas até junho deste ano, o que representa, pelo menos mais 8 mil pessoas no local.
O ''nascimento'' de verdadeiros bairros começa a representar uma preocupação social. As famílias que se mudaram em meados de outubro do ano passado para o Jardim Ana Terra (Zona Norte) não contam com uma rede próxima de serviços fundamentais para qualquer cidadão, como saúde e educação. Com isso, crianças estão tendo dificuldades em encontrar vagas para estudar em escolas ao redor e o atendimento de saúde fica restrito a outros bairros.
Segundo a conselheira tutelar da Zona Norte, Leoni Alves Garcia, o número de atendimentos de moradores dessa região referentes à rede de proteção pública tem sido expressivo e preocupante desde o final do ano. ''Este mês já atendemos 13 famílias que não encontram escolas para os filhos no bairro Ana Terra. As crianças terão que se deslocar para outras regiões para não pararem de estudar. Centro de Educação Infantil nem existe. Com isso, mães estão saindo do trabalho para cuidar dos filhos'', revela.
De acordo com ela, moradia deve ser uma das prioridades das administrações para famílias de baixa renda. A medida, contudo, não pode ser isolada. ''Devemos ver que a habitação envolve muito mais coisas, não pode ser vista apenas como um abrigo. E o acesso aos direitos fundamentais? Se estes forem violados, será que não vamos oferecer mais um risco?'', indaga, completando que sem escola ou atividades, as crianças ficam vulneráveis à criminalidade.
Morando desde novembro no bairro, a dona de casa Ana Patrícia de Andrade já sente a falta de estrutura. Viúva, mãe de cinco filhos, e com a tutela de dois sobrinhos, ela está preocupada com o início do ano letivo. ''Todos estão espalhados em escolas diferentes. Mas dois deles estão em lugares muito longes, já aqui na região não tem mais vaga. Além do receio dele ter que se deslocar sozinho, pois tem deficiência visual, tem o gasto com passagem de ônibus'', relata.
A também dona de casa Andrea Alves de Oliveira está de mãos atadas com a situação de seus dois filhos, um deles cadeirante. ''O deslocamento já é complicado por si só. Agora mais ainda, porque ficou mais longe de casa. Para piorar, como ainda não consegui vaga na creche para minha filha de 4 anos, vou ter de levá-la junto'', diz ela, que antes morava no bairro São Jorge, onde os dois estudavam.
Como elas, há outras dezenas de famílias na mesma situação, que relataram à reportagem a dificuldade em decorrência da falta de estrutura. ''É necessário que se aja com urgência antes que as novas famílias se estabeleçam nas casas'', reforça Leoni.


