O promotor Bruno Galatti explicou que a negativa dos ex-diretores em prestar depoimento não vai atrapalhar a investigação do caso. ‘‘Foi dada oportunidade de defesa e eles abriram mão, só falando em juízo. Independente disto, há um conjunto probatório muito forte em que podemos basear as acusações’’, disse. ‘‘Se for comprovado que eles não foram beneficiados diretamente com o superfaturamento e sim a empresa, ainda há ato ilícito porque, como agentes públicos, não poderiam permitir tal coisa. Quem recebeu vantagem com dinheiro público vai ter que devolver’’, afirmou.
Segundo Galatti, a condução do inquérito está sendo feita baseada em uma série de provas e depoimentos, que independem de questionamentos sobre as fitas apresentadas por Délcio Martins, apesar destas estarem incorporadas ao processo. ‘‘Temos documentos, temos depoimentos de funcionários tanto da AMA quanto da Tâmara e vários outros elementos probatórios que compravam irregularidades.’’
Até o momento, segundo o promotor, há uma diferença de R$ 375.292,47 entre pagamentos efetuados e o que as metragens especificadas requeriam, apurada com base nas planilhas identificadas pelos fiscais como áreas verdadeiras. ‘‘Foi apurada uma diferença de R$ 89.717,12 em áreas não urbanas e R$ 285.575,35 em áreas urbanas, em apenas três meses’’, explicou. De acordo com Galatti, as planilhas sob suspeita foram assinadas por Robson Douglas Majer - primo de Mauro Maggi - e Michael Giovanni Mulero, ambos contratados pela frente de trabalho.
Segundo Galatti, como a Tâmara subempreitou o serviço nas áreas não urbanizadas para a empresa Moraes e Moraes Ltda, a própria Moraes forneceu provas valiosas. ‘‘A Tâmara recebeu pagamento por roçagem de 13.785.567 metros quadrados de área, enquanto notas emitidas pela Moraes e Moraes atestam que foram feitas roçagens em 6.659.065 metros quadrados de área, menos da metade da área que foi paga’’, apontou. O promotor afirmou que a Tâmara recebia R$ 0,023 por metro quadrado roçado e pagava à Moraes R$ 0,018 por metro quadrado.
Quanto ao dossiê apresentado por Mauro Maggi, Galatti disse que não vai alterar em nada as investigações. ‘‘Estes documentos não têm relação com o caso da Tâmara e deverão ser apurados em um outro inquérito, criminal’’, afirmou. Segundo ele, os fatos apontados no documento podem determinar um trabalho de investigação específico sobre as frentes de trabalho. ‘‘Se a situação de descontrole administrativo está neste ponto, talvez seja a hora da promotoria investigar.’’(T.E)

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