Marcos NegriniLimpezaElídio Alves dos Santos: ‘‘Quem não morreu ou está preso foi embora’’O carroceiro Elídio Alves dos Santos, 61 anos, foi um dos primeiros moradores do conjunto Santa Felicidade.
Ele se mudou para o bairro há quase 20 anos, quando o conjunto ainda se chamava Profilurb e abrigava apenas 30 casas, que serviram para alojar os moradores de diversas favelas de Maringá.
‘‘A prefeitura fez uma limpa na favela, mas só ajudou as famílias que não tinham problemas com a polícia’’, conta ele. Das 83 famílias que moravam nos barracos perto do cemitério, onde ele morava, apenas 12 foram para o novo local.
Santos lembra que no início as casas ficavam no meio do mato. Para se chegar ao centro da cidade era preciso percorrer uma picada de quase três quilômetros. Mesmo assim, os moradores aprovaram o local, que era calmo e relativamente seguro.
‘‘Quem não se comportava aqui era retirado das casas em 24 horas, e pelo menos duas famílias foram expulsas do conjunto’’, diz Santos.
Para continuar o projeto de desfavelamento de Maringá, a prefeitura loteou uma área próximo ao Profilurb, ajudou a construir mais 200 casas e abriu o bairro para outros favelados.
Segundo Santos, a partir daí o conjunto passou a se chamar Santa Felicidade e a abrigar marginais.
‘‘Com as novas famílias a gente não podia nem sair para conversar com o vizinho no portão de noite. Isso aqui era igual ao Rio de Janeiro, com bala perdida para todo lado’’, conta.
‘‘Hoje, os bandidos que não morreram ou foram presos saíram daqui porque o bairro ficou visado pela polícia’’. Ele diz que o bairro melhorou muito.
O que mais anima Santos são as obras de infra-estrutura, como o asfalto e a iluminação, instaladas nos últimos anos.

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