Na infância aprendemos que a mentira é algo feio e também um grande pecado. Entretanto, com o passar do tempo descobrimos que uma mentira aqui, outra ali acaba se tornando parte do nosso cotidiano.
Seja para aliviar uma dor, trazer novas esperanças ou até mesmo poupar um sofrimento, a mentira surge como válvula de escape. Por outro lado, ela pode ser a principal fonte de insegurança, medo e dor.
Mas afinal, quem sofre mais dessa síndrome do Pinóquio: os homens ou as mulheres? Para traçar uma resposta, o Museu da Ciência (Science Museum), em Londres, encomendou uma pesquisa chamada ''Who Am I?'' (''Quem sou eu?'') para marcar a inauguração de uma nova galeria dedicada às ciências do cérebro, genética e comportamento.
O estudo foi realizado com três mil britânicos e revelou que os homens têm maior propensão a dizer mentiras. Isso significa que eles mentem em média, três vezes ao dia - 1.092 lorotas em um ano. ''Eu acho que é do caráter masculino mesmo. Na minha opinião, os homens mentem mais por falta de segurança'', diz o maringaense Hans Haad, 21 anos.
Hans, que é enfermeiro, disse ter sentido na pele as consequências de uma ''mentirinha''. Ele conta que mentiu sobre uma informação no trabalho e presenciou o sofrimento de uma pessoa. ''Me arrependi e descobri que não dá para encobrir uma mentira. Quando ela toma grandes proporções, o melhor mesmo é ser sincero.''
Já em relação às mulheres, a pesquisa mostrou que elas mentem em média duas vezes ao dia, gerando um total de 728 mentiras ao ano. Mas além de se mostrar um pouco mais honesto, o sexo feminino demonstrou sentir culpa após dizer uma mentira. Delas, 82% disse que a consciência pesa, contra 70% dos homens.
''Todo mundo mente e aceita uma mentira social, aquela em que não há intenção de magoar ou prejudicar'', diz Anna Karenina, 25. ''Nós geralmente mentimos por besteira, já os homens mentem por algo mais sério. É sempre assim.''
O marido dela Rafael Barbieri, 30, concorda em partes, mas acrescenta que nossa maneira de viver tem favorecido muito as mentirinhas. ''Principalmente pelas ferramentas virtuais, como salas de bate-papo e MSN, que banalizaram o mentir. Acho que isso tem prejudicado os laços de confiança entre as pessoas.''
A pesquisa aponta que 55% dos entrevistados acham que as mulheres contam mentiras melhores, embora mintam menos. E 71% afirmaram que mentir para proteger alguém é perfeitamente aceitável.
Uma das curadoras do Museu da Ciência, Katie Maggs, em entrevista à BBC, diz não haver consenso sobre possíveis origens genéticas, evolutivas ou culturais da mentira, mas ressalta que ''mentir pode parecer uma parte inevitável da natureza humana, mas também tem um papel importante nas interações sociais.''
Depois de muita conversa, o pescador de final de semana, Luiz Fernando Bravo, 52, admite a dura verdade de que os homens mentem mais, mas defende que é para não arrumar confusão. Sincero, revela não aceitar um tipo de mentiroso: ''aquele que mente sobre o caráter e acaba disseminando mentiras sobre fatos e pessoas que nem conhece.''
E, mesmo levando a fama de pescador, Luiz defende a categoria. ''Histórias de pescadores são muito divertidas. É que o pescador enxerga o peixe maior do que ele é. E só'', brinca, ao contar uma mentirinha. Só uma.

mockup