Londrina - Buscar melhorias para a comunidade junto ao poder público é o principal objetivo das associações de moradores. Segurança, educação, saúde e lazer são algumas das solicitações mais comuns dos moradores que, juntos, têm mais força para reivindicar. Entretanto, muitos ainda desconhecem os critérios para que tais solicitações e representatividade sejam consideradas legais.
No Jardim Shangri-lá A (zona oeste de Londrina), entre as conquistas da comunidade estão a melhoria da iluminação e a limpeza da praça. Gabriela Carneiro da Fontoura, presidente da Associação de Moradores do bairro, conta que a entidade já existia, mas estava desativada. "Quando começamos a nos reunir para tentar resolver o problema da insegurança e criamos o ‘vizinho solidário’, em 2010, nos lembramos da associação e a reativamos. Já tínhamos um estatuto em que tudo já está tudo previsto, então foi mais fácil", conta.
Hoje a associação está consolidada entre os moradores. Durante a entrevista uma senhora preocupada que a academia ao ar livre ficasse sem monitor após as férias ligou para Gabriela, pedindo orientação e ajuda. Para se comunicar com a comunidade, a presidente usa um cadastro dos moradores, que é mantido sempre atualizado. Para quem não usa e-mail, avisos são colocados na caixa de correio, nos elevadores dos edifícios e também na igreja.
"Fazemos a convocação com 15 a 30 dias de antecedência, assim as pessoas têm tempo para apresentar as chapas, no caso das eleições. Ela é realizada a cada dois anos e tem o acompanhamento de um não associado", explica.
Gabriela conta que entre as obrigações do presidente está manter um livro com o registro de todas as reuniões de que participou representando a comunidade. Ela também utiliza a ata para provar que foi eleita. "Já fui até a prefeitura fazer uma solicitação e pediram a ata", conta.
Outra providência tomada por Gabriela foi solicitar junto ao Tribunal Superior Eleitoral uma certidão dizendo que não é filiada a nenhum partido político. "Todo mundo me perguntava se eu iria me candidatar, porque muitos usam a associação de moradores para se destacar. Então fiz isso para provar que não tenho intenções políticas", afirma.

Mensais
Também na zona oeste, os moradores dos bairros Jardim Leonor, Charrua e Marumbi resolveram há dois anos formar uma associação conjunta. O presidente Irineu Marques da Silva explica que já existe uma Associação de Amigos do Jardim Leonor, mas como está inativa, formaram outra. "Instituímos a associação para ter mais respaldo junto ao Executivo. O bairro estava abandonado e estávamos brigando pela saúde. Não tínhamos um vereador da região para nos representar", conta.
Segundo ele, o processo foi rápido e cerca de um mês depois estava tudo pronto. Para a eleição, a divulgação foi o mais abrangente possível. "Fazemos panfletagem nas casas, pontos de ônibus, comércio e anunciamos na igreja, além de publicar um edital no jornal. As reuniões são realizadas sempre no segundo sábado de cada mês", conta.
Irineu diz também que entre as conquistas para o bairro estão o recape de algumas vias, a melhoria da sinalização e as obras para a nova creche. Também fizemos a sugestão de um candidato a vereador, porque achamos que assim fica mais fácil conseguirmos apoio para nossas necessidades, mas não fizemos campanha. Existem pessoas que querem usar a associação para capitalização de votos e nós somos apartidários", explica.
Segundo Irineu, o trabalho na associação deve ser encarado como algo voluntário. "Muitas pessoas dizem que o presidente deveria receber um salário, mas eu sou contra. Ser presidente não é para status. Acredito que as pessoas podem se candidatar por conta do salário e não da comunidade. Logo teremos outra eleição e espero que venha outro candidato, porém, como sou autônomo, facilita ‘sair correndo’ quando há algum problema. Mas não tenho interesse em ser vereador, meu trabalho na comunidade é só aqui mesmo", garante.

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