''Na calha eu nunca tinha olhado'', confessa a comerciante Francielly Dorothy Rosa Sitta, 30 anos. O filho dela - Leonardo, de cinco anos - ficou 15 dias acamado, com dengue, e ela não esconde que poderia ter cuidado mais para que a própria casa não servisse de criadouro para o mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti. ''A gente sempre pensa que nunca vai acontecer. Aconteceu''.
O menino é uma das 70 pessoas que já contraiu a doença este ano no município. Deste total, 45 casos foram autóctones (inclusive o dele) e 25 importados. ''Duas ruas para baixo da minha casa tem uma senhora com dengue. Já avisei para ela que nós duas temos que fazer um mutirão de conscientização no bairro.'' Ela mora no Bairro Aeroporto (Zona Leste de Londrina) e também já passou o recado da dengue na escola, igreja e entre os vizinhos. ''Fiz questão de que todos soubessem para podermos prevenir outros casos'', afirmou.
O trabalho dela certamente ajudará. ''E é a única forma de prevenir a doença, porque não existe vacina para dengue. A gente trata os sintomas depois que a pessoa já está doente. A única forma é acabar com o mosquito'', ressalta a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde, Sônia Fernandes.
Ela destaca que uma vez contaminada com o vírus da dengue clássica, a pessoa não está imune à doença. ''Existem quatro sorotipos, que são variáveis da dengue. Quando a pessoa contrai o sorotipo um, fica imune a ele, mas não aos demais. Portanto ela pode se contaminar novamente. Só é preciso ressaltar que o sorotipo quatro ainda não foi notificado no Brasil, mas sim em alguns países da América Latina.''
Francielly não quer nem pensar em outra contaminação. ''Estou neurótica. Ele não pode ter dengue novamente, porque ela fica mais grave. Pode ser até hemorrágica'', disse. Sônia explica que é preciso atenção, mas não é bem assim que funciona. A febre hemorrágica, também chamada de dengue hemorrágica, pode tanto acontecer em um paciente que contrai a doença pela primeira vez, quanto com quem já teve dengue. ''Existem hipóteses sobre o desenvolvimento da febre hemorrágica, mas nada confirmado. Uma das teorias é que pacientes que já tiveram dengue são mais suscetíveis, mas isso ainda é uma teoria'', alertou.
De qualquer forma, o cuidado com os pequenos precisa ser maior, pois uma outra possibilidade sobre a dengue hemorrágica é que crianças e idosos seriam mais propensos a desenvolver a doença. ''Além disso ainda temos a hipótese da patogenicidade do próprio vírus e o aparecimento em regiões que registram muitos casos de dengue clássica. Entre tantas teorias, o importante, na verdade, é acabar com o vetor, que é o mosquito'', resume.
Em Londrina, desde 2000, foram registrados cinco casos de dengue hemorrágica, sendo que duas pessoas morreram em função da doença. Quatro casos - entre elas, as duas mortes - foram registrados em 2003, quando o município viveu uma epidemia, com 7.202 registros confirmados. E o outro caso de hemorrágica, em 2002, quando 437 notificações foram confirmadas.

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