Sertanópolis - Os pouco mais de 15 mil moradores de Sertanópolis (40 km ao Norte de Londrina) se transformaram ontem em detetives à caça da pessoa mais sortuda da cidade. Foi na única lotérica desse pequeno município paranaense cercado por campos de soja que foi registrado o bilhete ganhador dos R$ 26.132.814,65 do concurso 740 da Mega-Sena acumulada, sorteado na quarta-feira. A aposta com as seis dezenas premiadas foi registrada às 14 horas, 38 minutos e 22 segundos, ou seja, a menos de oito horas do sorteio. Até o final do dia, as suspeitas mais fortes recaíam sobre uma mulher na casa dos 40 anos que fez apenas um jogo e que pediu ajuda para apostar.
No minuto anterior, quem confirmava sua aposta era o comerciante Darci Luiz Barbieri, 55 anos. Como faz praticamente todas as semanas, ele passou pela lotérica que fica no Terminal Rodoviário de Sertanópolis para fazer sua ''fézinha''. ''Me lembro que atrás de mim tinha uma mulher que nem sabia como jogar. Ela pediu minha ajuda e eu falei para ela falar com a funcionária da lotérica'', contou ontem, sem ressentimentos. ''Não dá tristeza porque não era para ser da gente. Para ganhar tem que estar com a sorte no dia certo'', disse ele que já acertou ''umas 17 vezes a quadra''.
Já a faxineira da Rodoviária, Catarina Ludovick, 45 anos, além de ''detetive'' figurava também entre as suspeitas de terem ganhado o prêmio milionário. ''Joguei ontem (anteontem) à tarde mas ainda estou para conferir'', desconversou. Será que continuou trabalhando ontem só para despistar toda a cidade? ''Não, não''.
Mas esta não é a primeira vez que a sorte aporta em Sertanópolis. No dia 8 de janeiro deste ano, o caminhoneiro Antônio Aparecido Calciolari, 62 anos, acertou a quina e levou para a casa R$ 25 mil. A faixa ainda continua na porta da lotérica atraindo apostadores. O filho do ganhador, Edivaldo Aparecido Calciolari, 38 anos, falou que parte do prêmio foi usado para pagar dívidas e outra parte está engordando em aplicações financeiras. ''Ele nem sabia que tinha ganhado e foi uma ajuda muito boa'', confessou.
E numa hora dessas tem gente que até jura que não queria ficar milionário? Foi o que garantiram os amigos Paulo Roberto dos Santos, 40 anos, e José Carlos, 60 anos, ''Nem queria ganhar um prêmio desses porque é muito dinheiro junto'', brincou o primeiro. ''Acho que ficaria até meio louco com um dinheiro desses'', confessou o segundo. Ontem, além de manterem a tradição das rodas de carteado na Rodoviária, os dois também estavam com uma ''pulguinha'' de R$ 26 milhões atrás da orelha.
De acordo com os 'detetives de plantão' da cidade, as maiores suspeitas recaíam mesmo sobre uma família de italianos: os Dancini. Mais especificamente sobre a professora Janete. Suspeitas que o irmão Adão Dancini, 40 anos, fez questão de mrefutar. ''Ela nem joga essas coisas e por causa disso minha esposa passou o dia só atendendo ligação'', afirmou, mas sem muita convicção. ''Se fosse eu, não estaria agora aqui 'ralando' embaixo desses carros'', comentou o mecânico.
Na lotérica, a proprietária Luciana Ferrari do Vale ainda comemorava o primeiro grande prêmio em sete anos de trabalho. ''Quando soube, eu chorava, tremia. Até fogos já soltamos'', falou. Ela só lamentou que, mesmo com todos esses milhões, não sobre nada para a lotérica que fez a aposta vencedora. ''Só mesmo se o ganhador for bondoso e deixar uma gorjeta'', sugeriu.

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