Rua que sobe, desce e nunca aparece. Este velho jogo de palavras poderia ser aplicado quando se pergunta à maioria das pessoas quem é o ‘‘fulano’’ que deu o nome à rua em que mora, ou à repartição em que trabalha, ou, ainda, à praça onde descansa. A resposta é quase sempre negativa. Ou as pessoas desconhecem o personagem homenageado ou o que ele fez para merecer tal reconhecimento. Segundo professores de história ouvidos pela Folha, esses desconhecimentos são mais um indício de que os brasileiros têm memória curta e raramente valorizam sua história.
Mas, no caso de Londrina, os professores justificam esta falta de interesse pela história ao fato de o município ser muito nova – 65 anos. ‘‘Quando Londrina foi colonizada, vieram para cá pessoas de trinta e duas diferentes nacionalidades. Com isso, houve agrupamentos em pequenas colônias e essa dinâmica acabou impedindo que as pessoas criassem raízes mais fortes com a cidade’’, comenta o professor Jorge Cernev, do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A diretora do Museu Histórico ‘‘Padre Carlos Weiss’’, de Londrina, Conceição Duarte Geraldo, também acredita que a falta de memória da maioria dos londrinenses está ligada à idade do município. ‘‘Muitos pioneiros ainda estão vivos, não existe aquela nostalgia típica de uma cidade mais antiga. A não ser as pessoas mais idosas, que dão um valor maior ao passado’’, comenta.
Conceição reconhece que existe uma falha no sistema educacional no que diz respeito ao resgate da história da cidade. Para ela, seria necessário criar uma forma de despertar nas crianças o interesse pelos fatos e personagens que tiveram importância na formação de Londrina. ‘‘Seria a saída para motivar a nova geração a preservar o patrimônio histórico de Londrina’’, argumenta.
Para Conceição, a importância do resgate histórico pelas pessoas está no fato de que ao conhecer a história é mais fácil evitar a repetição dos erros do passado, e até mesmo ter nos personagens históricos referência para a construção do futuro.
A gerente de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, observa que muitos nomes de ruas, praças e prédios públicos não refletem a história da cidade. ‘‘Temos pessoas importantes que não foram homenageadas e nomes de ruas que prestam homenagens a pessoas que foram relevantes em outras cidades’’, diz.
Vanda também ressalta que não só os nomes de ruas, mas também os monumentos que homenageiam os pioneiros de Londrina são desconhecidos pela maioria da população. ‘‘As pessoas vivem numa correria diária e dificilmente vemos alguém parado diante de um monumento lendo a placa que conta a história de tal personagem’’, afirma.
Mas na opinião da gerente do Patrimônio Histórico, a falta de tempo para se informar a respeito da história da cidade não poderia ser uma justificativa aceitável. ‘‘Londrina tem apenas 65 anos. Não conhecer a história de um lugar tão novo é como não conhecer nada’’, comenta. A historiadora afirma que o resgate da história é importante na formação da personalidade do indivíduo e também da população da cidade. ‘‘Porque a partir do momento que se conhece a história do lugar, a preservação deste mesmo lugar passa a ser importante para as pessoas’’, observa.

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