'Quem faz o bem uma vez, certamente vai querer repetir'
Segundo a neurocientista Paula Fernandes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ser caridoso também tem uma importância social. ''Proporciona uma sensação de dever cumprido, despertada na região límbica central do cérebro, que processa as emoções. O lobo frontal também é ativado e tem a função de atuar na consciência do julgamento moral'', detalha.
De acordo com os especialistas, as reações pós-caridade são estudadas pela ciência há mais de 10 anos. ''Assim como algumas atividades esportivas liberam substâncias que proporcionam prazer, ser caridoso também é estimulante. Quem faz o bem uma vez, certamente vai querer repetir o ato pela satisfação que sentiu'', completa Paula.
Quando se trata do aspecto social da caridade, as considerações dos especialistas contemplam críticas. ''A caridade oferece uma solução imediata, mas não garante os direitos sociais do ser humano, como moradia, alimentação, saúde e educação. O provedor desses direitos deve ser o Estado'', afirma a pesquisadora Maria Carmelita Yazbek, pós-doutora em Serviço Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do curso de pós-graduação em Serviço Social da PUC-SP.
Maria Carmelita não se diz contrária à caridade, apenas alerta para a necessidade de se chegar a um ponto de equilíbrio entre o que é dever do Estado e o que cabe ao cidadão. (M.T. com Agência Estado)





