A irmã Elizabeth Célia Leandro está no Lar dos Velhinhos há 10 anos e conta que, durante esse período, viu apenas uma pessoa deixar o asilo para voltar para casa. Era uma uma mulher que tinha entrado no asilo por opção própria. ‘‘Muitas vezes, os parentes só aparecem depois que o velhinho morre para perguntar se ele deixou algum bem’’, afirma a irmã.
No caso de dona Joaquina Godoy Correia, ela ainda tem sete filhos vivos (oito filhos já morreram), além de vários netos, bisnetos e tataranetos. ‘‘A família dela havia procurado o asilo antes, mas evitamos aceitar porque achamos que poderia aparecer alguém que precisasse mais da vaga’’, explica a irmã. Hoje, o asilo de Campo Mourão conta com 26 mulheres e 36 homens. Segundo a irmã Elizabeth, alguns familiares pediram apenas para serem avisados quando Joaquina morrer.
Depois de Joaquina, os internos mais velhos são Pedro Lopes do Amaral, que fez 100 anos em junho, e Maria de Jesus, que chegou ao asilo há quatro meses, já com 100 anos completos. Maria de Jesus é forte fisicamente, mas não conversa com ninguém e xinga quem tenta se aproximar. Amaral é mais frágil, mantém a lucidez e é de boa conversa. Ele está no asilo há seis anos e só parou de fumar agora. ‘‘Preciso cuidar da saúde’’, brinca. (S.S.)

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