Há 40 anos o vendedor de livros Admizio Raimundo de Souza, o ''Pernambuco'', 59 anos, viaja de Cambé para Londrina para doar sangue no Hemocentro do Hospital Universitário (HU). Este ano não foi diferente. No último sábado, Pernambuco levantou cedo e antes das 10 horas já havia feito a boa ação do dia, da semana, do mês, do ano. ''Cada um tem um dom e o meu é ser doador de sangue.''
Há sete anos o técnico em química Valmor Felipi, 31 anos, sensibilizou-se com uma campanha de doação de sangue realizada em São Paulo e decidiu contribuir. Passada a primeira experiência, ele já doou em outras duas oportunidades e anteontem resolveu participar mais uma vez, agora no Hemocentro do HU. Para ele, por mais que as pessoas tenham consciência da importância das campanhas de doação de sangue, ''por algum contratempo elas acabam não doando''.
E justamente no final do ano é que a situação dos bancos de sangue se complica. Com as férias, e as festas, aumenta o número de acidentes e homicídios. Em contrapartida, diminuem as doações e o estoque do Hemocentro do HU cai em até 30%, conforme contabiliza a técnica administrativa Eva Maria Ramos, que trabalha na captação de doadores.
Segundo ela, o estoque atual do Hemocentro armazena 450 bolsas com 450 mililitros (ml) de sangue cada. Londrina conta hoje com cerca de mil doadores cadastrados, mas a média diária de retornos é de 40 voluntários. O perfil dos doadores londrinenses é composto por adultos de classe média, entre 18 e 50 anos.
O Hemocentro Regional de Londrina atende não só o HU, mas a Maternidade Municipal, os hospitais da Zona Norte e Zona Sul e o ambulatório do Instituto do Câncer de Londrina, além de hospitais das regiões vizinhas.
Com as férias, a captação em universidades e colégios cessa e a falta de sangue com Rh negativo é o que mais preocupa, ''porque é a tipagem mais usada em emergências'', diz Eva Ramos. Segundo ela, enquanto o sangue tipo O negativo é o mais usado, a tipagem mais comum entre as doações é O positivo.
Para Pernambuco, a doação de sangue é ''um ato de amor inexplicável''. ''As pessoas têm de doar porque quem doa sangue dá a vida pelo próximo'', define.

Serviço - O Hemocentro Regional de Londrina funciona de segunda a sábado, das 8h30 às 17h30, na Rua Cláudio Donizete Cavaliere, 156, no Jardim Aruba, ao lado do Hospital Universitário. Mais informações pelos telefones (43) 3371-2356 ou (43) 3371-2218.

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