Quem dança é mais feliz e capaz
Caroline Vicentini
Reportagem Local
É no ritmo do forró, samba, tango, soltinho, bolero e valsa que portadores de deficiência e transtornos mentais estão desenvolvendo a autonomia, independência e capacidade de socialização, a fim de romper preconceitos e resgatar a autoestima. Desde 2007, o projeto cultural Dançando na Rede, patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), desenvolve oficinas de dança de salão com quem deseja dançar, não importando a idade, raça, posição social ou se possui alguma deficiência.
De acordo com a coordenadora do projeto, Maria Helena Curotto Martins, a ideia de estender as oficinas a portadores de deficiência surgiu após experiências bem sucedidas com crianças e idosos. Comprovei que a dança tem efeito terapêutico. Depois que começaram a fazer aula, algumas pessoas deixaram de tomar antidepressivos porque passaram a lidar melhor com os problemas e limitações, relata. Atualmente, 120 pessoas exercitam o corpo e a alma em cinco espaços: Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc); Centro Cultural Lupércio Luppi (Zona Norte); Vila Cultural Fábrica do Teatro do Oprimido, (Área Central); Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III) e Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD).
A deficiência visual não impede que alunos do Ilict tenham o prazer de dançar a dois. Depois de aprender o samba e o tango, que resultou no espetáculo Sambatango, apresentado no ano passado, o desafio agora é se arriscar no bolero. Faço um trabalho de base, ensinando sobre postura, equilíbrio, espacialidade, respiração. Com eles o trabalho é individualizado, com mais orientações verbais e aproveitando a excelente percepção tátil e auditiva que possuem, explica a agente cultural.
Os benefícios são comprovados pelos alunos. Meu corpo está mais solto e o meu equilíbrio melhorou, atesta o estudante Paulo Henrique Lombardi. Pé-de-valsa, apaixonado por dança desde criança, especialmente tango e bolero, o aposentado Pedro Dias da Costa, 71, frequenta as oficinas há quatro anos. Já me apresentei várias vezes, participei de bailinhos e a cada ano estou me aprimorando. Perdi a visão aos 20 anos sem ter a oportunidade de ver alguém dançando tango e bolero; agora danço só pelo ritmo, afirma. O aposentado ressalta que a dança o fez perder a timidez, além de se sentir rejuvenescido e capaz. Idade e deficiência não seguram ninguém. É só ter vontade, ensina.
Os que não possuem deficiência atuam como multiplicadores do projeto, auxiliando a repassar as orientações e incentivando a inclusão. A estudante Roberta Augusto Moreno, 23 anos, frequenta a oficina de dança no Ilitc e no Teatro do Oprimido. Graças à dança estou mais comunicativa, revela, contando que já fez algumas amizades nos clubes de dança da cidade.





