Quem cuidará dos deficientes na velhice?
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Simoni Saris Reportagem Local 
Há algumas décadas, pessoas com deficiência intelectual dificilmente chegavam à velhice. A morte precoce, porém, deixou de ser uma realidade para esse grupo a partir do avanço da medicina e hoje não é raro encontrar indivíduos na faixa dos 60 anos de idade. Mas se a ciência propiciou maior longevidade às pessoas com deficiência, também abriu brechas para o surgimento de outros problemas, sendo a ausência de um cuidador um dos principais deles.
Muitos deficientes têm um nível de comprometimento intelectual que os torna inteiramente dependentes da figura do cuidador, responsável pela alimentação, saúde, higiene e socialização. Sem essa ajuda, o deficiente fica vulnerável a uma sociedade discriminatória e despreparada para atendê-lo na velhice. Embora haja um aumento nas taxas de institucionalização de idosos deficientes no País, ainda são poucas as ofertas de serviços de acolhimento destinados a esse grupo.
Nesta sexta-feira (25), o Ministério Público de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) promove uma audiência pública para ouvir representantes do poder público e a comunidade, em especial os pais ou responsáveis pelas pessoas com deficiência, e discutir a necessidade de implantação no município de uma residência inclusiva. Trata-se de uma modalidade de serviço de acolhimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) destinada a jovens e adultos com deficiência em situação de dependência. Cada residência abriga até dez pessoas com a finalidade de promover o desenvolvimento de capacidades adaptativas à vida diária, autonomia e participação social.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelece que ela tem o direito de conviver com sua família natural, mas quando isso não é possível, o Estado deve viabilizar alternativas. "O acolhimento em residências inclusivas deve ocorrer quando nenhuma outra medida se fez possível, sendo, portanto, exceção, jamais a regra", ressaltou a promotora de Justiça de Ibiporã, Amarílis Picarelli Cordioli.
Somente na Apae de Ibiporã há 12 adultos entre 35 e 40 anos de idade à espera de acolhimento institucional. Entre eles, quatro foram abrigados provisoriamente em um asilo de idosos, por determinação do MP. Outras 40 pessoas têm como cuidadores idosos que, estima-se, dentro de poucos anos não terão mais condições físicas de manter os cuidados. "As residências inclusivas são um desejo nosso e de toda a sociedade que trabalha com pessoas com deficiência porque a gente está vendo que os pais, os cuidadores e os irmãos estão começando a ficar envelhecidos", disse o presidente da Apae em Ibiporã e presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência do município, Gilson Mensato.
A Apae em Ibiporã tem 250 alunos matriculados atualmente e outras 50 pessoas com deficiência frequentam a entidade apenas para receber atendimento clínico. (Leia mais na edição desta quinta-feira)


