Quem conta um conto...
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - No meio de aranhas e morcegos, cercados por teias de aranha, seres fantasmagóricos contavam histórias de arrepiar. Quem imagina que crianças não gostariam de estar em um lugar assim, se engana. No Dia da Leitura, promovido pelo Projeto Bibliotecas Escolares Palavras Andantes, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, esse foi o cantinho preferido da meninada. Teve também o lugar dos contos de fadas, dos contos contemporâneos, de Monteiro Lobato e da poesia.
Durante o dia de ontem, 234 alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental de 10 escolas municipais passaram por todos os gêneros, conhecendo um pouco de cada um. Os próprios professores da Hora do Conto das escolas municipais encarnaram fadas, princesas, bruxas e lobo mau para contarem as histórias. Na estação Monteiro Lobato, alunos do 5º ano da Escola Municipal Nair Auzi Cordeiro, do Conjunto Milton Gavetti (zona norte), representaram a história do casamento da Emília com o porquinho Rabicó.
Yasmin Gabrielly Sarábia, de 10 anos, representou Emília e conta que no início ficou bastante envergonhada por causa da peruca colorida da personagem. "Agora quase não estou mais com vergonha", contou, se preparando para a última apresentação da manhã. Já Diego Gudim Ferreira, de 11 anos, deu vida ao porquinho e se sentiu menos intimidado, por já ter participado de outras peças de teatro. "Achei bem legal. No começo fiquei com vergonha, mas agora já passou. E na escola já tínhamos apresentado para nossos colegas", afirmou.
Mônica Alvarenga da Costa Sarábia, professora da Hora do Conto na escola, explicou que os alunos estudaram sobre Monteiro Lobato e depois montaram a apresentação. "É bem marcante para eles, que gostaram de representar para as outras crianças."
Márcia Batista de Oliveira, coordenadora do Projeto Palavras Andantes conta que o Dia da Leitura foi um projeto-piloto e a intenção é nos próximos anos seja ampliado para uma semana. "Fizemos nesta data porque também será o Dia das Crianças. Quisemos fazer uma programação cultural, voltada para a leitura. Muitos oferecem doces e brinquedos e a fantasia fica aquém", destacou.
Para apresentar as histórias, foram escolhidos professores de outras escolas e não das que participaram da iniciativa. "Cada pessoa conta de um jeito, tem uma entonação de voz e os alunos veem as histórias de outra maneira. Para escolher o que seria apresentado, levamos em consideração as preferências dos alunos", explicou Márcia.
Luiza Simões Bettin, de 9 anos, aluna no 3º ano da Escola Municipal Melvin Jones, no Jardim Hedy (zona oeste), escolheu o conto de terror como seu preferido. "Achei bem legal a história, gosto de terror e suspense. Também gosto bastante de ler e meus autores favoritos são Monteiro Lobato e Ruth Rocha."
Seu colega Ângelo Gabriel Dias Val, de 8, também adorou as histórias de suspense. "Gostei bastante de ter participado, acho que tem que ter mais vezes. Na escola gosto das histórias da turma da Mônica, porque são mais longas", justificou.
A professora Márcia Oliveira Mendes Silva é a responsável pela Hora do Conto na escola e garantiu que as crianças gostam bastante de ouvir histórias e de ler. "Eles querem conhecer o autor, sua história. Achei a iniciativa muito boa, pena que não puderam vir todas as turmas. Tomara que no próximo ano todas sejam contempladas", destacou.
Há três anos acompanhando os alunos na biblioteca, ela afirma que é visível como a leitura reflete no comportamento e desenvolvimento escolar. "Eles aumentam o vocabulário e muitos usam isso no dia a dia. Os alunos do 4º e 5º anos inclusive indicam os livros preferidos para os colegas", disse.
Incentivo
O projeto Bibliotecas Escolares Palavras Andantes, é desenvolvido desde 2002 e tem como objetivo despertar o gosto pela leitura nos alunos das escolas da rede municipal de ensino, tanto na zona urbana quanto na rural. Semanalmente os alunos participam da Hora do Conto e são incentivadas a frequentar a biblioteca e a emprestar livros.
Segundo a coordenadora, todos os meses os professores recebem capacitação, nos diversos gêneros literários e trocam experiências. "O projeto já foi vencedor do Prêmio Vivaleitura", destacou. O concurso é promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), Fundação Biblioteca Nacional, Ministério da Educação (MEC) e Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).


