Quem construiu casa de material perdeu tudo
Quem construiu casa
de material perdeu tudo
Milton Dória
DesesperoA viúva Cecília Breantine chora nos braços da sobrinha Sueli de Souza: O que eu vou fazer agora?A decisão da Justiça, que indeferiu os pedidos de liminar de reintegração de posse à Loteadora Brasil e à prefeitura, criou nos invasores dos terrenos do Jardim San Rafael, zona leste de Londrina, a ilusão de que a moradia poderia vir a se tornar permanente, e muitos trocaram o barraco pela casa de material. Ontem de manhã, Cecília Breantine, 51 anos, não conseguia parar de chorar. Desesperada, ela ficou sabendo pela equipe da Cohab que não vai poder ficar na área invadida e terá de demolir ou perder a casa de material que construiu no terreno.
Viúva, Cecília Breantine sofre do coração e cuida dos dois netos para a filha trabalhar como doméstica. Ela morava em uma casa perto do estádio Vitorino Gonçalves Dias ( zona central) há 12 anos. Eu cuidava da casa para o proprietário, mas há dois meses ele me despejou e eu fiquei na rua, afirma. Cecília, então, mudou-se para a invasão e, como ganhou tijolos, cimento e outros materiais, construiu sua casa de material na área invadida. O que eu vou fazer agora?
Humberto Lima, da Cohab, explica que a remoção das famílias do San Rafael ainda vai demorar porque as ações de reintegração de posse ainda estão correndo na Justiça. Ele esclarece que enquanto os processos não chegarem ao final, a Cohab vai continuar negociando a transferência das famílias como a de Cecília Breantine para outro local. Isto já aconteceu em outras invasões, diz Lima. Na demolição, a pessoa perde material, mas pode reaproveitar uma boa parte para nova construção.





