Henrique Duarte, 34 anos, é genro de Dona Imaculada, e marido da única filha da pensionista que ficou em Londrina. Assistente de departamento pessoal, ele tem um currículo considerável, com serviços prestados em empresas conhecidas de Londrina. Mas não consegue emprego. Estava com a bagagem preparada para ir pela segunda vez à Portugal, quando tomou conhecimento das novas medidas anti-imigratórias. Resolveu esperar para ver como é que fica.
''Já estava com passagem marcada, mas vou esperar'', explica. ''Quem chega lá sem visto tem que voltar''. Na primeira experiência, em 2001, ele ficou apenas dez dias em território português. Conseguiu um bico de um dia, instalando cabos. Estava complicado se adaptar à situação, e o atentado ao World Trade Center, em 11 de setembro, nos Estados Unidos, foi o que faltava para tornar a volta bastante prematura.
Vendo conhecidos do seu bairro, o Conjunto Semiramis, regressarem com um bom dinheiro de Portugal, já tinha planejado o retorno. Queria ficar pelo menos dois anos. A preferência é por um emprego na construção civil, que, segundo ele, paga bem. O primeiro ano serviria para saldar as dívidas que fez para pagar a viagem. O segundo seria suficiente para fazer um dinheiro. ''Lá quem tem 34 anos não é considerado velho para trabalhar, que é o que ouço aqui quando procuro emprego'', diz Duarte, que também tenta conseguir uma cidadania italiana.

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