Quem brinca seus males espanta
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sábado, 24 de junho de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba É lei. Todas as unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação são obrigadas a dispor de brinquedotecas. A lei é de março do ano passado e entrou em vigor seis meses depois para dar tempo às instituições de adequarem seus espaços. Na teoria, a fiscalização cabe às vigilâncias sanitárias municipais, mas como a maioria das pessoas desconhece a legislação, não há cobrança.
O Paraná tem quatro hospitais de atendimento exclusivamente pediátrico e que são conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS): o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba; o Hospital Infantil Doutor Antônio Fontes, em Paranaguá; o Pronto-Socorro Infantil João Vargas de Oliveira, em Ponta Grossa; e o Hospital Infantil de Londrina. Não existe levantamento oficial sobre a existência das brinquedotecas.
Para a coordenadora da brinquedoteca da Organização Não-Governamental (Ong) Ser Piá, Ingrid Fabian Cadore, o espaço nos hospitais é extremamente importante para trabalhar com a criança situações que são para ela de difícil compreensão. Com a ajuda das brincadeiras, o educador pode fazê-la compreender ou lidar com sentimentos como o afastamento involuntário de casa e as restrições na alimentação, dor e a necessidade dos exames.
Por essa razão, Ingrid defende que os espaços para brincar tenham um orientador um brinquedista e não sejam apenas salas de brinquedo. Mais importante que o acervo é a presença de um adulto para a mediação do brincar, justamente, para que a brincadeira sirva como um complemento na recuperação da criança.
A Ong Ser Piá oferece treinamento para brinquedistas. O próximo está programado para os dias 17 a 21 de julho. O curso tem duração de 40 horas, entre aulas teóricas e práticas, e é realizado em parceria com a Associação Brasileira de Brinquedotecas. A programação contempla a fundamentação da importância do brincar; planejamento, organização, função e gerenciamento de brinquedotecas em contextos específicos (escolas, hospitais, clínicas etc.); o perfil do brinquedista e mediação do brincar; e repertório lúdico.
No Hospital Pequeno Príncipe, 500 voluntários se revezam nas atividades recreativas para distrair os pequenos pacientes não só na brinquedoteca, mas nos próprios quartos. O objetivo é somente o de ocupar e alegrar a criançada. Quando é necessário trabalho terapêutico, a tarefa fica com o Departamento de Psicologia do hospital.
A psicóloga do Departamento de Voluntariado do Pequeno Príncipe, Patrícia Bertolini Izidorio, disse que não há um dado científico que comprove a influência das atividades recreativas na recuperação dos pacientes. ''Mas, é claro, na percepção do dia-a-dia a gente observa que a criança fica melhor adaptada, mais tranquila, e adere melhor ao tratamento. Ela passa a ver o hospital não só como um lugar de tratamento e cura, mas de brincadeira, aprendizagem e relacionamento'', afirmou.
Carolina Alexandre Calixto, 10 anos, que estava internada no Pequeno Príncipe pela quarta vez, procurou ocupar seu tempo montando um quebra-cabeças, mas confessou preferir brincar com a Barbie. Para ela, ter um espaço para brincadeiras é muito bom. ''Quando a criança se sente mal, ajuda a distrair'', disse ela.
A mãe do pequeno Luan Handrius Molonha, de 1 ano e seis meses, Fabíula Obregon de Oliveira, concorda com a importância das brinquedotecas nos hospitais infantis, pois acredita que ajuda na recuperação. ''Dentro do quarto, ele fica muito estressado'', afirmou a mãe, mostrando os hematomas resultantes de cabeçadas na parede. ''Acho que todos os hospitais que internam crianças deveriam ter'', acrescentou.


