Quem beliscou, beliscou; quem não beliscou...
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Apolo Theodoro<br> Especial para a Folha 
...Não belisca mais! Embora ninguém confesse abertamente, que atire a primeira pedra quem nunca deu uma beliscada. Antes de ser apedrejado, porém, sinto informar, no que se refere à beliscada em questão, que a mamata acabou neste restaurante aí da foto pra quem tem tal costume, a não ser que você queira pagar pelo desrespeito que, como se lê no cartaz, é bem claro.
Lá a beliscada dói em quem belisca. Mas, ao contrário daqueles beliscões doídos de mãe, dói no bolso que, segundo o economista Delfim Neto, é a parte mais sensível do corpo humano. E não tem choro: beliscou, pagou! E, como está escrito no cartaz, 12 reais por pessoa. Aliás, por que tal ênfase, será que esse por pessoa foi escrito logo de cara ou foi acrescentado mais tarde, após um casal beliscar e, ao ser cobrado, querer pagar uma beliscada só? Vá saber...
Mas, cá pra nós, hein, pro dono ter tomado tal atitude por certo a beliscada ali era grande e a gentileza miúda feito azeitona esta, aliás, ao lado da polenta frita, foi das mais citadas como campeã do belisco, segundo opinião de alguns entrevistados que, mesmo negando tal prática, sabem que o belisco existe, alguns, quem sabe, até por experiência própria.
Qual seria a solução para acabar com o belisco...? Heureca! A solução é: em vez de pesar a comida, pesar a pessoa, ou seja, se o cara entrou com 60 quilos e saiu com 61 cobra um quilo e não tem farofa. Só é preciso por alguém pra cuidar dos espertinhos para que não deem uma aliviada no banheiro antes de sair, o que pode aumentar a despesa, sem contar que seria uma fiscalização difícil de ser feita, já que o freguês teria que ser acompanhado até a hora h e mesmo assim...
É melhor deixar como está, mesmo porque, apesar do cartaz proibindo-as, as beliscadas não são tantas assim em Londrina, pelo menos é o que se deduz das entrevistas feitas sobre o tema. Abordadas à porta de três restaurantes inclusive neste aí da foto todas as pessoas, sem exceção, responderam que nunca beliscam antes de passar na balança.
Andando pelo Centro da cidade não foi diferente: os mesmos ingredientes verbais falta de educação, falta de vergonha na cara, falta de ética, desonestidade, não sou daqui, não como em restaurante por quilo, sai de mim, meu, tô fora ouvidos na porta dos restaurantes se repetiram, ou seja, ninguém belisca em Londrina ou, pelo menos, não assume publicamente.
Um dos entrevistados chegou a esboçar um uma vez numa churrascaria eu belis..., mas levou um beliscão da mulher Não bem, você nunca beliscou, ele nunca beliscou, isso é coisa pra gente baixa! e nem terminou a frase. Pra resumir, em mais de 20 contatos com pessoas de ambos os sexos, jovens e adultos, não apareceu uma que tenha dado uma beliscada sequer uns anjinhos...
Será que essa unanimidade é medo de aparecer na FOLHA, ficar marcado como beliscador e, assim, não poder mais beliscar em paz nos restaurantes? Não importa o motivo, cada um sabe onde a beliscada dói e, sejamos justos, a maioria da população não belisca, pelo menos este tipo de beliscada, não é mesmo? Ou não?


