Cemitério São Pedro: objetos na mira dos criminosos são crucifixos, estátuas, vasos e placas de bronze
Cemitério São Pedro: objetos na mira dos criminosos são crucifixos, estátuas, vasos e placas de bronze | Foto: Gina Mardones



A criminalidade está preocupando familiares de entes enterrados nos cemitérios de Londrina. No São Pedro, na região central da cidade, os constantes furtos fizeram com que a administração pública tomasse algumas medidas, como a implantação de uma câmera de segurança. O equipamento foi instalado no dia 11 e ficará a aproximadamente 15 metros distância do chão, com filmagens de 360 graus, que serão transmitidas ao sistema da GM (Guarda Municipal) 24 horas por dia.

O número de reclamações relacionadas a delitos no São Pedro saltou de uma média de três para 20 mensais. O aumento de 566% nos registros começou a ser notado no mês de julho. "Estamos fazendo reuniões contantes com as autoridades policiais e outros órgãos públicos para que tenhamos uma diminuição destas ocorrências. Para 2018, a projeção é que os muros do cemitério sejam aumentados na altura em cerca de 1,5 metro para ajudar na segurança", adiantou Douglas Pereira, superientende da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina).

Os objetos que têm sido alvo dos criminosos são crucifixos, estátuas, vasos e placas de bronze. "Se não bastassem os pequenos furtos, começamos a receber muitas denúncias de furtos de grandes objetos. Infelizmente, as pessoas estão deixando de respeitar até o que é sagrado", constatou.

Recentemente, um grupo tentou levar uma estátua de Jesus feita em bronze com 1,6 metro de altura. Eles só não conseguiram porque vizinhos viram a ação e acionaram a guarda. "Já tive muito prejuízo deste tipo no túmulo na minha família. O jeito é evitar colocar objetos que chamem atenção; é uma situação bastante incômoda", afirmou a dona de casa Francisca de Oliveira.

Em alguns casos, proprietários de jazigos estão colocando reforço de concreto nas bases das estátuas para dificultar os furtos. "Infelizmente, já furtaram objetos do túmulo em que tenho parentes enterrados e entrei para a estatística", lamentou o vendedor Mário Cortez.

Pessoas contratadas por terceiros para realizar a limpeza de túmulos também contam que não são apenas as tumbas que são alvos dos criminosos. "Esses dias vi um homem que estava visitando o túmulo de um parente cercado por vários rapazes. Eles o seguraram, bateram nele e levaram tudo o que tinha", descreveu uma mulher, que pediu para não ser identificada.

JARDIM DA SAUDADE
Maior cemitério de Londrina, o Jardim da Saudade, na zona norte, possui uma média de reclamações de furtos na Acesf considerada baixa, com duas a três por mês. De acordo com populares, os problemas no espaço que fica na avenida Saul Elkind estão relacionados à ação de vândalos. Quando existem furtos, são de placas e puxadores de bronze. "Aqui não tem tanto roubo, apesar de ser uma área muito grande. As pessoas reclamam de vidros quebrados dos jazigos ou de suportes de vela danificados", contou a costureira Maria de Fátima Souza.

'Receptadores especializados'
Os furtos no cemitério São Pedro também fizeram com que a Guarda Municipal interviesse. Segundo o secretário da pasta, Evaristo Kuceki, os agentes realizam rondas mais contantes para prevenir a ação de criminosos. Ele informou existe a possibilidade de que mais câmeras possam ser instaladas no espaço, e em outros cemitérios da cidade, dependendo do caso.

"Em cerca de 60 dias teremos a manutenção das câmeras e a partir disso podemos remanejar de outras áreas que estão com menos incidentes para outras que estão com mais. A principio é apenas o São Pedro que tem apresentando aumento na quantidade de furtos e roubos, pois ele é o mais visado. Concomitante a isso, começaremos a ter uma presença mais ostensiva", disse.

Segundo Kuceki, a Polícia Civil está ajudando investigando os casos e a suspeita é que exista um grupo responsável pelos crimes. "Observamos que os receptadores são especializados e os que praticam os atos são recrutados. A ideia é de que com a captura das imagens, possamos gerar provas e ajudar a polícia para que consigamos chegar aos criminosos". (P.M.)

Mutirão para o Finados
Desde o início de outubro, a Acesf tem intensificado as ações nos cemitérios de Londrina visando o Dia de Finados (2 de novembro). O trabalho é reforçado por homens e mulheres do Patronato Penitenciário da cidade, que mantém parceria com a prefeitura desde o começo de 2017. Eles auxiliam os servidores públicos na pintura de muros, varrição dos espaços e recolhimento de entulhos.

Para os próximos fins de semana estão previstas intervenções nos cemitérios João 23, na zona sul, e Padre Anchieta, na zona leste. "Estamos trabalhando para oferecer melhor visitação durante o feriado de Finados. O foco também é eliminar o acúmulo de lixo, que pode esconder escorpiões, e de água, que pode servir de criadouro para o aedes aegypti", explicou Douglas Pereira, superintendente da Acesf. (P.M.)

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