Queixas inusitadas surpreendem no Procon
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Depois de beber uma dose de cachaça e descobrir que no boteco ao lado a mesma bebida custava R$ 1 a menos, o consumidor sai do bar direto para Núcleo de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon). Lá, cheirando ainda a dose recém-deglutida, quer reclamar do preço ''abusivo'' praticado no estabelecimento. Parece piada de gosto duvidoso, mas a situação aconteceu e ilustra bem o dia-dia dos atendentes do órgão.
No topo da lista dos casos inusitados que deixam o atendente sem resposta está o de um senhor que chegou pedindo auxílio para recuperar um veículo. O consumidor relatou que via o carro dele andando pela cidade e queria de volta. Ao mostrar o comprovante de pagamento, o atendente se deparou com um carnê de plano de assistência médica domiciliar. Tudo de acordo, parcelas pagas e na capa do carnê a fotografia da ambulância do plano.
''Ele argumentava que tinha pago e queria o bem'', relembra o assessor jurídico do órgão, Jackson Romeu Ariukudo. Evidentemente, o caso não foi para frente.
Em outras situações, no entanto, o consumidor prejudicado que não tem vergonha de se expor acaba levando a melhor. Foi o que ocorreu com um rapaz que reclamou de uma cobrança indevida do motel. ''Ele havia ido ao lugar com duas mulheres e o motel cobrou a mais pela terceira pessoa. Depois de discutir muito ele acabou pagando e nos procurou'', lembra. O caso acabou em audiência e o valor foi devolvido.
Há quase dois anos no Procon, a estagiária Milena Selegari, 22 anos, tem na ponta da língua a principal saia-justa que passou. ''Era um senhor que afirmou inicialmente que queria fazer uma reclamação contra um médico, mas quando ele chegou na minha mesa, abriu um estojo e tirou um aparelho'', relembra. O tal equipamento prometia aumentar o tamanho do órgão sexual do consumidor.
Insatisfeito com os resultados pífios e com a cobrança da esposa, ele queria processar a empresa fabricante. ''Foi difícil, tive que me segurar para não rir, pedi a nota fiscal e ele não voltou mais. Acho que ele ficou mais constrangido que eu'', diz. Alerta aos consumidores: segundo ela, mais de um consumidor que comprou o tal do aparelho já procurou o Procon.
Além de pessoas com reclamações incongruentes segundo o órgão, dos 80 atendimentos diários apenas 20 viram reclamação não são poucos os consumidores que querem apenas um pouco de atenção. ''Tem gente que vem aqui só para conversar'', diz Milene.
''Tem muita gente que sabe que não tem direito mas precisa desabafar, por isso orientamos nossos atendentes a não ter pressa e ouvir tudo. Tem gente que fica mais de uma hora reclamando de juros altos e outros problemas'', afirma Ariukudo. Em outras ocasiões, o Procon é procurado como uma espécie de porta-voz, para se obter contato com a empresa. ''Às vezes, o que a pessoa quer é simplesmente uma satisfação; elas passam pelo 0800, não conseguem nada e vem para cá'', completa.


