Queixas aumentaram 72,5%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Gerson da Luz Souza 
Especial para a Folha
Jackson PiaiaDelegada Elaine Aparecida Ribeiro atende vítima de violência na delegacia de CascavelA Delegacia da Mulher em Cascavel prestou 4.360 atendimentos em 97. O volume representa um aumento de 72,5% sobre o de 1996, que chegou a 2.527 atendimentos. Do total de situações envolvendo agressão ou tentativa de agressão contra mulheres, 973 foram registradas, 64 resultaram em inquérito policial e 387 em termo circunstanciado.
Os delitos praticados são de diversas naturezas. O de maior frequência é a lesão corporal, que chegou a 483 casos. O segundo lugar foi o delito de ameaça, com 380 casos. Na sequência vem o estupro (12 casos), tentativa de estupro (8) e atentado violento ao pudor (14).
Outras situações como perturbação, calúnia, difamação e rapto consensual somam 76 casos. O balanço acaba de ser divulgado pela delegada Elaine Aparecida Ribeiro, titular da Delegacia da Mulher. Segundo ela, em 75% das situações registradas os agressores estavam embriagados.
O relatório também apresenta a relação existente entre o agressor e a vítima. Em pouco mais da metade dos casos (50,7%) tratava-se de marido, amásio ou namorado e em 12% o agressor já teve algum tipo de relação amorosa com a vítima. Em 7,7% dos casos, agressor e vítima tinham grau de parentesco, em 6,8% tratava-se de vizinho e em 4,5% era desconhecido. Outros tipos de relação enquadrados somam 16,9% dos casos.
Pelo balanço também é possível analisar o perfil das vítimas. Em termos de atividade profissional, por exemplo, 46% delas são do lar, 17,5% domésticas, 10% profissionais liberais, 9,5% comerciárias, 5,3% autônomas, 3,2% funcionárias públicas e 8,5% outras. Quanto ao estado civil, 36,4% são casadas, 29,5% amasiadas, 21,7% solteiras, 5,4% divorciadas, 4,4% separadas e 2,5 viúvas.
A delegada Elaine Ribeiro afirma que o aumento do número de atendimentos não representa crescimento da violência contra a mulher. Ela observa que durante o ano que passou promoveu 18 reuniões de bairro com mulheres, esclarecendo os direitos que elas têm e a importância de registrarem queixa em caso de agressão. Está havendo maior consciência nesse sentido, diz a delegada.


