Queixa de omissão de socorro surpreende usuários de ônibus
Silvana Leão
De Londrina
Usuários do Terminal Urbano de Transportes Coletivos de Londrina entrevistados ontem pela Folha demonstraram surpresa ao saber do caso de João Pereira da Silva que, em abril de 98, sofreu um derrame cerebral enquanto esperava o ônibus por volta das 23h30 e não recebeu atendimento durante toda a noite. O problema foi noticiado ontem pela Folha.
A maioria dos usuários não entende como este tipo de coisa pode ter acontecido em um local de grande movimento de pessoas. É um absurdo. Uma demonstração de falta de solidariedade, disse o bancário aposentado Antonio Carlos Rodrigues Lopes. Ele afirmou que, embora utilize o terminal frequentemente, nunca chegou a ver alguém se sentindo mal ali dentro. Se visse, garante que procuraria socorro imediatamente. Eu evitaria tocar no paciente, para não correr o risco de agravar o problema.
A exemplo de Lopes, todos os usuários entrevistados afirmaram que procurariam socorro antes de mexer com a vítima. Tentaria no máximo conversar com a pessoa para ver o seu estado, disse a dona de casa Lucia Lombardi. O atendente comercial Cláudio Martinelli é enfático: Eu não tocaria na vítima porque sei que poderia causar um trauma ainda maior.
Martinelli fala com experiência de causa. Ele trabalhou durante 10 anos como atendente de enfermagem e sabe dos perigos de proceder incorretamente com pessoas vítimas de traumatismos. Eu só faria alguma coisa se fosse no sentido de reanimar a pessoa, em caso de ataque cardíaco, por exemplo.
O atendente comercial, que tem deficiência física causada por poliomielite, queixa-se da segurança do terminal e da falta de atenção dos motoristas com as pessoas de idade e deficientes. Outro dia eu estava chegando no ponto, dei sinal para o motorista e ele não me esperou. Além disso, as escadas de acesso aos coletivos não são adequadas para quem tem problemas físicos. Eu mesmo já caí várias vezes.
Martinelli queixa-se também da falta de rampas dentro do terminal. Alguns acessos só são feitos por escada. Segundo a assessoria de imprensa da Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb), já existe um projeto visando aumentar os canais de acesso aos portadores de deficiência. O projeto, que engloba também os terminais de bairros, visa ainda a adaptação de sanitários e portas e a colocação de piso especial, em código braille, onde os deficientes visuais possam se nortear pela bengala.
O diretor da Francovig Transportes Coletivos, Francisco Henrique Francovig, explicou que a empresa tem estudos no sentido de adaptar veículos com elevadores para facilitar o acesso. Pode ser que estes veículos percorram linhas específicas.
A Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) desenvolve projeto em parceria com a Associação de Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), que prevê um levantamento de quantos são e onde estão os portadores de deficiência que utilizam transporte urbano. A idéia é traçar um perfil destes usuários e desenvolver um projeto adequado à realidade da cidade. Segundo a assessoria de imprensa da TCGL, a empresa também paga o combustível de uma perua Kombi adaptada, que é utilizada pela Adefil para transporte dos associados.





