Queiroz pode pegar até 30 anos
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaVítimaEverson da Silva: morto no portão de centro comunitário da zona oeste por causa de sanduíchesEra fim de tarde de uma terça-feira, naquela dia 7 de maio de 96. No centro comunitário do jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste) estava terminando uma festa de idosos do bairro, coordenada pelo aposentado João Bianor de Queiroz. Everson da Silva e outros colegas aglomeraram-se no portão do local, pedindo pedaços de bolo e sanduíches de pão com carne moída que haviam sobrado. João Queiroz não quis dar nada aos adolescentes e se irritou com a insistência deles. Foi assim o início da discussão.
Segundo algumas testemunhas, Everson pegou um pedaço de pau e ameaçou atacar o presidente da associação de moradores. João Queiroz sacou o revólver, que sempre trazia à cinta, e atirou duas vezes. Um tiro pegou no ombro esquerdo, o outro atingiu o ouvido esquerdo de Everson, que morreu antes da chegada do socorro médico. O assassinato foi presenciado por várias pessoas. João Queiroz fugiu rapidamente, ameaçando atirar em quem tentasse impedi-lo de sair do centro comunitário.
Desde o início o inquérito policial foi presidido pelo delegado Jurandir Gonçalves André. Segundo ele, trata-se de homicídio qualificado - cometido por motivo fútil - e a pena prevista varia entre 12 e 30 anos de prisão. A expectativa do advogado Ronaldo Cosate, que trabalha para a família de Everson, é de que o julgamento de João Queiroz ocorra em poucas semanas.
João Queiroz não tem passagem anterior pela polícia, mas entre os moradores do jardim Nossa Senhora da Paz ele tinha fama de homem violento. Segundo alguns deles, o guarda noturno sempre andava armado, com um punhal ou revólver. A prima do garoto assassinado, Eliete Alves da Silva, conta que ele ameaçava agredir as crianças nas ruas por qualquer motivo. As crianças não podiam participar de festas no centro comunitário, não podiam soltar pipas e ainda eram incentivadas a roubar na BR-369 sob proteção dele.


