Queimar lixo é uma prática comum em Londrina
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Muitos moradores ainda recorrem à queimada para acabar com o lixo. Segundo informações da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), o órgão atendeu 90 denúncias de queimadas só em julho e nas duas primeiras semanas de agosto. Terrenos vazios são os principais alvos dessa prática: enquanto alguns depositam ali lixo e entulhos para depois incendiá-los, outros recorrem ao fogo como uma forma menos trabalhosa de se acabar com o mato alto.
''Não seria mais fácil colocar para o lixeiro recolher, do que levar para um terreno e queimar?'', sugere a dona-de-casa Laura Nabarro. Ela mora no Jardim Interlagos (Zona Leste) e conta que precisa conviver quase diariamente com a fumaça proveniente de queimadas. ''Moro aqui há dois meses, a minha casa ainda não é forrada. Então dentro fica tudo preto de fuligem'', revela, acrescentando que em outros bairros onde morou em Londrina o problema não era tão constante. ''Acho que é porque aqui tem sítios e favela por perto'', supõe.
A dona-de-casa confessa, porém, que nunca reclamou nem recorreu a nenhum órgão público para tentar resolver a questão. ''Eu não acho ruim. O duro é quem tem problemas respiratórios.''
No conjunto Cafezal (Zona Sul), uma das queixas da dona-de-casa Maria Madalena Faria Corrêa é justamente que a fumaça das queimadas prejudica a saúde do marido, que tem bronquite. ''Onde moro é uma tristeza, vira e mexe põem fogo no fundo do vale ali em frente, e fica dois, três dias queimando'', reclama, acrescentando que a fumaça faz mal também para os netos. Mesmo sentindo-se incomodada, Maria confessa que nunca chegou a denunciar o problema. ''A vizinha diz que vai ligar, mas não sei se ela liga mesmo. E ninguém nunca veio resolver'', afirma.
Já a estudante Vanessa Aparecida Pierone, moradora do Jardim das Américas (Zona Norte) reclama que já telefonou diversas vezes para a Sema, mas que o problema não foi solucionado. ''Em julho, todos os dias colocavam fogo no mato próximo à linha de trem. Cheguei a ligar três vezes na mesma semana para a Sema, mas não deu em nada. Então desisti de ligar, porque não adianta'', revela.
Em contato com a Sema, a estudante conta que recebeu três respostas diferentes. ''Na primeira vez, um funcionário me disse que ia ver se tinha fiscal por perto para averiguar. Na segunda, apenas anotaram a minha queixa. E na terceira o cara disse que era preciso que eu informasse quem pôs o fogo, se não o caso iria para o final da fila'', narra.
Vanessa admite que não houve mais queimadas nos últimos dias por ali, mas não sabe quanto tempo durará essa tranquilidade. ''Quando o mato crescer de novo, vão pôr fogo novamente. E a gente tem que ficar trancado dentro de casa, respirando fumaça.''
Segundo Silvia Cebulski, gerente de fiscalização ambiental da Sema, o órgão atende a todas as denúncias recebidas, apesar de, em alguns casos, o fogo já estar extinto quando o fiscal chega. ''Queimada é crime ambiental. Mas a nossa maior dificuldade é identificar quem ateou o fogo. Normalmente é um ato de vandalismo, e o autor não fica no local'', reconhece.
Silvia explica que, sem conseguir autuar o autor do crime, resta ao fiscal tentar conscientizar as pessoas próximas ao local do fogo. ''O fiscal também avalia a necessidade ou não de se acionar os bombeiros. Em muitos casos, o fogo é pequeno e se extingue sozinho'', conta. Quem inicia uma queimada pode ser penalizado com multa (que pode ser de R$ 50 até milhões de reais, dependendo da gravidade dos danos causados) e até detenção.
Serviço: - Reclamações sobre queimadas podem ser feitas na Sema, pelo telefone (43) 3341-9660, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.


