Incômodas e perigosas, as queimadas urbanas são uma prática comum entre a população de Londrina. Método habitualmente utilizado para eliminar resíduos de podas de árvores e roçagem de terrenos vazios, o fogo também é usado para queimar lixo e outros materiais que, após entrar em combustão, costumam ser tóxicos aos seres humanos e ao meio ambiente.
''O plástico, quando queimado, produz fumaça tóxica'', exemplificou o tenente Clodomir Marafigo Junior, do Corpo de Bombeiros de Londrina. Nos meses de maior estiagem, a corporação registra mais de dez ocorrências por dia. ''Como o número de chamadas é grande, deslocamos equipes apenas se as casas próximas são ameaçadas pelo fogo'', explicou.
Quando não há risco de incêndio, as pessoas que se sentirem incomodadas com a queimada devem denunciar o fato à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) pelo telefone (43) 3341-9660. Segundo o secretario do Ambiente, Cleidival Fruzeri, tocar fogo em qualquer tipo de resíduo é proibido e passível de autuação que pode resultar em multa. ''Se a queimada for em terrenos vazios, a responsabilidade é do proprietário'', orientou.
Ele afirmou que a maior parte das ocorrências refere-se a resíduos de podas e roçagens. ''Queimadas de lixo e outros objetos são menos comuns. Em beira de estradas ou loteamentos vazios, às vezes o fogo resulta do vandalismo de algumas pessoas'', completou, acrescentando que restos de vegetação devem ser entregues à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), que se encarrega de levar os dejetos à Fazenda Refúgio para correta destinação.
As queimadas ocorrem com mais frequência em períodos de pouca chuva. Segundo a pediatra Solange de Fátima Vidigal, a associação entre a baixa umidade relativa do ar e a fumaça predispõem a doenças respiratórias. ''Quem é alérgico fica mais suscetível. A fumaça é um inalante que agride o sistema respiratório'', esclareceu. Entre as doenças possíveis de ocorrerem, a médica citou bronquite, rinite, sinusite e até conjuntivite alérgica. Para amenizar os efeitos da alergia, ela orienta a oferecer bastante líquido às crianças e evitar o contato com a fumaça.
O professor universitário Edson Delattre, de Campinas, atua há oito anos como voluntário contra queimadas urbanas (ver texto nesta página). Segundo ele, grande parte das pessoas faz uso da prática por hábitos arraigados e falta de educação ambiental. ''Em alguns locais, as queimadas são tão comuns que até as crianças praticam, imitando os adultos'', contou.
A solução para o problema, na opinião do professor, depende de ações preventivas e efetivas por parte do poder público. Essas necessidades incluem limpeza constante de vazios urbanos e a investigação, identificação e identificação de vândalos que provocam incêndios por ''diversão''. ''Como trabalho de base, as escolas das redes municipal e estadual poderiam explorar o tema das queimadas urbanas em seus conteúdos pragmáticos. Muitas crianças passaraiam da condição de observadoras e imitadoras das ações indevidas dos adultos para a posição de críticas e propagadoras de ideais anti queimadas'', acredita.

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