Queimadas prejudicam asmáticos em Cambé
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Cambé- Rotina entre os moradores do Jardim Silvino, Zona Sudoeste de Cambé, as queimadas degradam não só o meio ambiente como podem estar prejudicando a saúde de dezenas de crianças que sofrem de bronquite asmática. Um grupo de apoio aos pacientes com asma, criado há dois anos na cidade, já conseguiu reduzir em 24% o número de internamentos de jovens com idade abaixo dos 14 anos, como afirmou o médico Silvio André de Goes Biral, coordenador do programa municipal.
Segundo Biral, a cultura de queimar tudo, desde comida até roupa, permeia não só bairro, mas também todo o município. Na região de atuação da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Silvino, a Rua Manoel Borba Gato é disparada a que mais registra queimadas. E o número de pacientes asmáticos no entorno da via também é o maior da redondeza, quase 40 crianças.
''Estamos preparando um levantamento para confirmar se o problema das queimadas interfere na questão dos asmáticos. A idéia é também discutir o assunto com a secretaria de Obras da cidade para ver o que pode ser feito quanto à poluição causada pelas indústrias da região'', disse Biral, reforçando que os dados devem ser apresentados durante reunião marcada para outubro. Além do lixo queimado pelos moradores, a fumaça gerada pelas por indústrias preocupa os médicos.
A dona de casa Vanízia Arão Fante confirmou que as queimadas pioram a condição da filha Echiley Vitória, cinco anos. que é asmática. ''Os vizinhos têm preguiça de usar sacolas e preferem pôr fogo no lixo. As queimadas são comuns, mas atrapalham'', declarou Vanízia, que antes de assistir a palestra no posto de saúde também constumava queimar lixo. ''Hoje peço para os vizinhos não queimarem para não prejudicar minha filha.''
Echiley Vitória começou a participar do grupo de asma da UBS do Jardim Silvino há um ano e desde então suas crises diminuíram. ''Antes ela tinha crise toda semana. Agora, a última crise dela foi há três meses, por causa de pó de flor de jabuticaba que espalhava no ar'', comentou a mãe da menina. Depois de participar das palestras, Vanízia aprendeu a limpar corretamente a casa, retirou as cortinas do quarto da filha e doou todos os bichos de pelúcia da menina, que agora só brinca com bonecas de plástico.
Triagem
De acordo com Biral, o projeto surgiu na própria unidade do Jardim Silvino, onde ele dividia os atendimentos aos asmáticos com as consultas regulares. Conforme o coordenador, o grupo de asma atende pelo menos 400 pacientes com idade até 14 anos em quatro ambulatórios distribuídos pela cidade. Além da unidade do Jardim Silvino, os postos de saúde do Jardim Ana Rosa, o Centro de Saúde, que engloba a Região Central, e o Posto 24 horas também oferecem atendimentos em dias específicos da semana.
Segundo Biral, para participar do grupo de asma o paciente passa primeiro por uma triagem para saber se tem perfil asmático. Em seguida, as famílias assistem a uma palestra educativa, na qual o médico define o que é a doença, os tipos de tratamento e tira possíveis dúvidas das mães, que também têm acesso a vídeos educativos.
A terceira etapa é a consulta, quando a criança é avaliada e recebe a medicação de acordo com o problema. Os atendimentos duram, em média, quatro horas por dia em cada ambulatório. ''Para participar, basta procurar um posto de saúde de referência que o tratamento é garantido para a todos os pacientes asmáticos.''


