Queimadas podem provocar crises respiratórias
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O inverno ainda nem chegou e as pessoas já percebem a mudança do clima, que fica cada vez mais seco à medida que se aproxima da virada de estação. Crises respiratórias acabam sendo comuns nessa época do ano, mas muito desses problemas poderiam ser evitados se não houvesse tantas queimadas, tanto na área urbana quanto na rural.
Segundo a pneumologista Janne Estella Takahara, o clima seco e as queimadas não afetam somente asmáticos e pessoas que possuem doenças como enfisema pulmonar, bronquite crônica ou rinite alérgica. ''No inverno o ar é muito seco. Quando há queimadas, mesmo quem não possui esse tipo de problema pode vir a ter crises alérgicas agudas e tosses profundas, tendo que buscar ajuda médica para tratamento. Crianças e idosos são os mais prejudicados.'', disse.
Mas, para muitos o problema não parece tão sério. Algumas pessoas insistem em colocar fogo em lixos, entulhos ou em terrenos baldios. O relações públicas da Polícia Ambiental, sargento Reinaldo Vasconcelos dos Anjos, alerta que dependendo do tipo de material queimado, a prática é considerada crime ambiental e a pessoa pode ser multada, além de responder processo.
''Nessa época, pelas condições do clima, há uma maior propagação das chamas durante as queimadas. No caso de queimadas de pneus, plásticos ou outros materiais que ocasionam grande quantidade de fumaça, aí então é considerado crime ambiental'', salienta.
A professora Jacira Herek, moradora do Jardim Califórnia (Zona Leste), já se sentiu prejudicada por vizinhos que queimam seus lixos nas calçadas. ''Acredito que isso se deve, principalmente, à falta de orientação, pois a folha queimada poderia ser usada como um adubo de grande potencial. Eu ficava preocupada com minha filha que sofria de problemas respiratórios, por isso pedia para não queimar'', disse.
Foi uma reclamação contra a fumaça de queimadas que motivou a Companhia Municipal de Transito e Urbanização a proibir, a partir deste mês, o descarte de galhos na Fazenda Refúgio (Zona Sul) queima de galhos também é uma prática desaconselhável. Segundo o diretor de Operações da companhia, Fábio Reali, fiscais vão garantir o cumprimento da medida e estarão orientando carroceiros e motoristas que transportam galhos a despejaram o material no aterro sanitário, que fica na estrada para o Limoeiro (Zona Leste).
A decisão foi tomada para atender uma reclamação da população dos bairros próximos à fazenda, perturbada com a fumaça de constantes incêndios no local, e também proteger o emissário e a estação de tratamento de esgoto da Sanepar, instalada no interior da propriedade. A quantidade de troncos, galhos e folhas depositadas no local causavam constantes incêndios, muitos vezes, por combustão espontânea, espalhando fumaça e fuligem para os bairros próximos à propriedade. Segundo dados levantados pela Companhia, cerca de 50 metros cúbicos de troncos e galhos de árvore são depositados, diariamente, no interior da fazenda Refúgio.
Para viabilizar o aproveitamento do material, a CMTU vai disponibilizar dois trituradores para moagem das folhas e dos galhos mais finos, que serão preparados para transformação em adubo e venda para plantadores de verduras e granjeiros. O material do tronco das árvores será trabalhado com motosserras para ser vendido como madeira de queima em fornos de olarias e padarias.
Serviço
Denúncias sobre queimadas podem ser encaminhadas à Polícia Ambiental pelo telefone 0800-6430304; o atendimento é 24 horas.


