Cambé – O Jardim Ana Rosa 4, na zona norte de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), possui dois importantes fragmentos de mata nativa: os parques naturais do Cedro Rosa e da Perosa Rosa. Ambos os espaços são Áreas de Preservação Permanente (APP) protegidas por leis ambientais. Teoricamente. Na prática, a realidade é bem diferente. Na tarde de segunda-feira, um incêndio provocado pela queimada de lixo atingiu um peroba centenária e expôs a fragilidade dos parques.
O fogo começou na esquina entre as ruas Arsênio Gomes da Silva e José Gasparini e se alastrou pela vegetação no Parque do Cedro Rosa. Um caminhão-pipa da Prefeitura fez o combate às chamas. O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Paulo César de Godoi, acredita que 30% da base da árvore tenham sido comprometidas. Um estudo mais detalhado foi solicitado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). "Se os técnicos apontarem que a árvore está condenada, infelizmente teremos que removê-la, pois ao lado passa uma linha de alta tensão", adianta.
O Cedro Rosa tem 6 hectares de floresta nativa. De um lado, faz divisa com o bairro. Do outro, com unidades do Parque Industrial. Ali está o problema. O descarte de lixo irregular é frequente. Móveis usados, garrafas, plásticos se acumulam em grandes pilhas. Para se livrar da sujeira, os moradores incineram tudo o que é deixado. A operadora de caixa Jozimari Ramos de Souza conta que a família tem sofrido com a fumaça. "É terrível. Temos crianças com bronquite que passam mal com isso. Falta consciência", reclama.
Godoi admite dificuldade em flagrar e punir os infratores. Ele conta que tem conversas adiantadas com as indústrias para a instalação de câmeras que ajudarão a coibir o descarte de lixo e as queimadas. "É crime ambiental passível de prisão e multa. Com as câmeras, teremos condições de fiscalizar melhor." A intenção de Godoi é cercar toda a área com palanques de concreto, nos moldes da obra realizada no Parque da Peroba Rosa, no final de 2012. "É um investimento que deve superar R$ 1 milhão. A previsão é que as obras comecem no ano que vem".
Distante apenas 200 metros, o Parque da Peroba Rosa, com 10 hectares, tem melhores condições. Depois da construção da cerca com os palanques, Godoi conta que o despejo de lixo reduziu cerca de 90%. No entanto, a estrutura já sofre com a ação dos vândalos. Em alguns casos, o concreto é quebrado para facilitar o consumo de drogas na mata.
"Em Cambé não pode ter um obra bonita que os ‘malandros’ estragam tudo", criticou o aposentado Gerozino Silva. Em alguns pontos, a prefeitura fez os remendos nos palanques para evitar a entrada. Os dois parques são fechados e não contam com visitações.

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