Queimada provoca multa e confusão
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Lúcio 
Horta
Londrina
César AugustoFaxina geralFogo na Plenogás: depois da limpeza, funcionários colocaram fogo em todo o lixo encontrado, atitude que renderá multa de até R$ 900Tudo começou com uma faxina geral em área desativada da Plenogás, na avenida Duque de Caxias (área central), onde funcionava parte da instalação industrial da empresa. Depois de juntar muita madeira, papel, plástico e pneus, dois funcionários não tiveram dúvida: atearam fogo no material, ao ar livre, e provocaram a maior confusão na vizinhança. Todo mundo achou que estivesse havendo um incêndio na empresa, já que o fogo era forte e a fumaça preta subia vários metros. Choveram ligações ao batalhão do Corpo de Bombeiros de Londrina avisando sobre o falso incêndio.
Colocar fogo a céu aberto é proibido por lei, por provocar poluição do ar, e o infrator pode ser multado. Quando a imprensa chegou ao local, um dos funcionários - que não quis se identificar - ficou receoso em informar o que realmente estava sendo queimado. É só papel e poeira (...) É, tem poeira queimando, disse, incomodado com a situação. Já o segundo funcionário, José Gonçalves, que apareceu em seguida, já foi logo dando a ficha. Tem dois pneus velhos no meio. Mas é pneu pequeno, pneu de Fusca, tentou explicar.
Era possível observar a fumaça a quilômetros de distância. E foi do jardim Bela Vista (zona sul) que uma equipe da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) viu a poluição no céu e começou a seguir o rastro. Esse material tinha que ter sido recolhido e encaminhado ao aterro sanitário. A empresa vai ser multada, avisou Fábio Luís Quintal Carvalho, da autarquia, logo que chegou ao local. Poucos minutos depois, o próprio diretor técnico da AMA, Mauro Maggi, também aparecia depois de receber reclamações sobre o incêndio.
Maggi explicou que queimar pneus a céu aberto leva diversos poluentes para ar, entre eles o enxofre, monóxido de carbono e materias particulados (fumaça). Infelizmente isso acontece muito. E pneus é uma coisa seríssima, polui o ar de forma acentuada. O pessoal não tem consciência do que o pneu faz para a atmosfera. Por isso eles (Plenogás) estão sujeitos a penalidade máxima, afirmou. A multa no caso de queimada varia de uma a 30 UFLs (Unidade Fiscal de Londrina). O indicador, apesar de extinto, continua sendo empregado pela prefeitura. Cada UFL vale 32,76 Ufirs, ou seja, a multa pode variar de aproximadamente R$ 30,00 para até R$ 900,00.
O contador da Plenogás em Londrina, identificado apenas por Valdenir (ele não quis dar o nome completo), afirmou que tinha ordenado aos funcionários colocar fogo de pouquinho e não sabia que era proibido fazer queimada a céu aberto. Já pedi para jogar areia abafando o fogo, disse, enquanto assinava o auto de infração. A empresa tem sete dias para recorrer da multa.
Segundo o diretor Mauro Maggi, a destinação de pneus velhos é um velho problema e de difícil solução, principalmente porque ele demora muito para se deteriorar. Se queimar o pneu, polui o ar na certa; se jogar fora ou guardar sem qualquer cuidado, pode juntar água da chuva e virar um criadouro ideal para o mosquito da dengue.
Quando encaminhado para o aterro sanitário, o pneu é triturado e serve como cobertura para o lixo. O autódromo também utiliza muitos pneus em muros de proteção. Mas a melhor alternativa, segundo Maggi, é a própria reutilização do material. Para isso, ele adianta, está prevista para breve a instalação em Londrina de uma indústria italiana de reciclagem de pneus.
A Plenogás é uma das mais antigas empresas de Londrina: foi criada na década de 40, pela família Fuganti, antes de passar para um grupo de multinacionais - Agip Liquigás, Cia Ultragás e Supergasbrás. Em novembro do ano passado, em séria crise administrativa, a empresa colocou à venda todo o complexo da avenida Duque de Caxias, que corresponde a uma área de cerca de 70 mil metros quadrados. A empresa está sendo desativada na Cidade.


