Queimada pode atingir gado da 7 Mil
Maurício Borges
De Apucarana
De acordo com estimativas de funcionários da Fazenda 7 mil, na região de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), o rebanho bovino remanescente corre o risco de morrer de fome ou até queimado pelo fogo se não forem adotadas providências urgentes. Segundo eles, dos 4 mil alqueires de pastagens que haviam na fazenda, restou uma área inferior a mil alqueires, que seria insuficiente para alimentar um rebanho de cerca de 4 mil animais. A fazenda está invadida por sem-terra e parte da área começou a pegar fogo na sexta-feira.
O gerente Gilberto Martins, lembra que as geadas e a prolongada estiagem deixaram as pastagens muito secas e que há ainda o problema com os animais, que estão debilitados e atingidos por várias moléstias. O rebanho não tem o manejo necessário e com as pastagens nestas condições muitos animais podem morrer, afirma.
De acordo com o médico veterinário Wilson Gehal, chefe do núcleo da Secretariada Agricultura e do Abastecimento, de Apucarana, para alimentar 4 mil cabeças de gado seriam necessários, no mínimo, 1,4 mil alqueires de pastagens em boas condições. Se a situação da Fazenda 7 mil for realmente esta, existe mesmo o risco de muitos animais morrerem de fome, disse Gehal.
Ontem, funcionários da fazenda, que há dois anos não têm acesso à propriedade, disseram que vizinhos têm relatado casos de bezerros e bois que teriam sido mortos pelo fogo nos últimos dias. Porém, até agora nenhum soldado do Corpo de bombeiros de Ivaiporã observou ou confirmou a existência de carcaça de animais atingidos pelo fogo.
O capitão José Triana Primo informou que a situação dos focos de incêndio ficou mais tranquila a partir de ontem. Não houve nenhum pedido de ajuda dos proprietários vizinhos, que agora estão organizados para agir rapidamente como voluntários para evitar maiores danos, disse Triana.
Ainda ontem, Vilmar da Silva, líder do acampamento do MST na 7 mil, manteve contato telefônico com o capitão Triana informando que os sem-terra estão organizados e de prontidão, combatendo o fogo em várias frentes.
Para o MST, grande parte das áreas queimadas na 7 mil é de responsabilidade de caçadores e pescadores, que invadem vários setores da propriedade e acabam causando incêndios. Apesar disso, moradores do acampamento admitem que algumas pastagens foram realmente queimadas para preparar áreas de plantio de milho.





