Moradores do bairro São Rafael, em Arapongas (Norte), já não sabem por onde trafegar para desviar dos buracos. Na avenida Louro Verde, uma enorme ''cratera'' dificulta o acesso aos diversos estabelecimentos comerciais e incomoda comerciantes e trabalhadores. Acidentes com motocicletas, principalmente em dias de chuva, são frequentes. ''O pessoal não vê os buracos e cai'', conta a comerciante Maria José de Medeiros, olhando para a rua toda destruída em frente sua loja.
Quando chove, os buracos atrapalham os negócios. ''Os carros jogam água em quem está na calçada. Por isso, os pedestres só andam do outro lado da rua'', lamenta. Cansada de reclamar, ela chama a falta de manutenção de descaso. ''É absurdo que uma cidade como Arapongas, cheia de indústrias mantenha as ruas nesse estado.''
Entregador de leite em todo o município, Marcio Rosineli Munhoz garante que a situação se repete em várias regiões. ''Quem trabalha com carro, como eu, só leva prejuízo. Você desvia de um buraco pequeno e cai num grande'', diz ele, que na semana passada gastou R$ 600 para arrumar a suspensão da camioneta.
O vice-prefeito e secretário municipal de Obras, Jair Milani, informa que estão sendo investidos R$ 3,2 milhões em recursos do Serviço Social Autônomo Paranacidade e R$ 2,5 milhões de recursos próprios para recuperar a malha viária do município, que totaliza 450 quilômetros. O secretário calcula que cerca de 60% do asfalto urbano esteja deteriorado.
''A maioria tem mais de 20 anos, e antigamente usava-se uma base fria, que não suporta um tráfego tão intenso como o atual. Nas principais vias, onde transitam ônibus e caminhões, estamos utilizando o CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), que é um revestimento mais resistente, utilizado também em rodovias''. Segundo o secretário, vários bairros já tiveram a pavimentação recuperada e a ideia, ao longo deste ano, é levar o serviço a cerca de 80% da área comprometida.
Em Rolândia (Norte), enquanto moradores do Centro comemoram o recape das principais vias, a população de alguns bairros sofre com a má conservação. Na Rua Domingos Romanholo, no Jardim Planalto, os buracos se multiplicam. ''Os carros tentam desviar e acabam passando rentes à calçada da minha casa. Uma hora alguém vai se machucar'', teme o aposentado Sebastião Batista dos Santos.
Os estragos, segundo ele, são causados pela enxurrada que se forma a cada chuva. ''Os bueiros não dão conta de escoar, a água transborda e estraga o asfalto. Sempre que chove, minha casa fica inundada'', denuncia.
Jardins Parigot, Novo Horizonte e Santiago são outros bairros onde o asfalto impõe riscos à população. Morador do Parigot, o autônomo Antônio Paulo Martão trafega de bicicleta pelas vias temendo o dia em que acabará se envolvendo em um acidente. ''De noite é pior, porque não dá para ver os buracos. Alguns moradores já fizeram abaixo-assinado, mas não teve resultado.''
A assessoria de imprensa de Rolândia informa que a Prefeitura iniciou, em meados de março, o programa ''Mãos à Obra'', que vai realizar serviços diversos em todos os municípios, incluindo pavimentação. O cronograma de atendimento já está programado para atender a demanda de asfalto de todos os bairros.

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